03 Dezembro, 2009


Como acontece todo ano, dezembro chega e, com ele, chega também a hora de pensar nos cardápios das inúmeras festas de confraternização que estão se aproximando. Eu, particularmente, adoro o natal, e adoro preparar presentes comestíveis – sempre corro atrás de receitas de chutneys, de tapenades, de geléias – e também de pratos interessantes para a minha nada convencional ceia natalina. Portanto, dezembro é mês de pesquisa. Como podem ver, tenho postado super pouco, e um dos motivos mais imediatos é que minha máquina de fotografia quebrou – e, embora saiba que a qualidade de uma receita não depende em nada da qualidade das boas imagens, confesso que já tinha me acostumado com o padrão – receita/foto. Mas enquanto não resolvo o problema, resolvi ir postando mesmo assim. Estou testando algumas sobremesas para um jantar que terei dia 19 – na realidade, me comprometi com duas sobremesas, e a primeira tentativa realizei ontem – uma cheesecake de morangos com uma massa de torta bastante especial – feito com farinha láctea nestlé (receita do Claude Troigrois) e com um recheio inspirado em uma receita da Cláudia, do Sabor Saudade. Embora tenha gostado bastante dela, ainda não bati o martelo. Alguma sugestão?


Cheesecake de morangos

Para a Massa:
200 g de farinha láctea nestlá
50 g de farinha de trigo
1 pitada de sal
110 g de manteiga amolecida

Para o Recheio:
200 g de cream cheese
200 g de creme de leite
2 ovos
¾ de xícara de açúcar
Suco de 1 limão
Purê de morangos (1 cx de morangos processados)
2 colheres de sopa de maisena


Para a massa, basta agregar todos os ingredientes, depositar na forma em uma única camada e pré-assar por 10 minutos. Misture todos os ingredientes do recheio e, antes de depositar sobre a massa pré-assada, deixe por 1 hora na geladeira. Depois disto, é só despejar o recheio na forma e assar por uns 45 minutos.

29 Outubro, 2009

Desabafo de mãe


Embora não tenha aparecido muito por aqui, continuo frequentando quase que obsessivamente minha cozinha. Quem acompanha o blog sabe dos meus esforços em manter uma alimentação saudável aqui em casa - mas o que parece ser simples, não é. Por exemplo: meu filhote mais novo sofre de asma, o que significa que devido aos medicamentos, ele está acima do peso - uns 7 kilos mais ou menos. Principalmente por ele, que já foi alérgico a leite de vaca e, durante anos seguiu uma dieta bastante rígida, meu esforço é dobrado. Desde que foi "liberado" da dieta, se deslumbrou e hoje, a despeito das minhas tentativas, é quase impossível demovê-lo da idéia do consumo de leite e derivados... Assim, me esforço em mandar de lanche escolar bolinhos caseiros (cenoura, abobrinhas, banana), mas qual não é a minha decepção quando descubro que ele o troca por qualquer pacotinho de biscoito industrializado... E por aí vai - as festas infantis então, são quase o meu pesadelo - fico realmente chocada com a falta de consciência dos cardápios oferecidos. Mas, ofício de mãe é assim mesmo, diariamente precisamos nos esforçar e não podemos desistir jamais! O avanço desta semana foi a adoção (com consentimento de todos) da inclusão diária de arroz integral e a abolição do consumo de carne em três dias na semana - e, para isto, estou pesquisando receitas vegetarianas que possam agradar (e não apenas nutrir) meus filhotes ... E foi assim que descobri, por exemplo, o excelente blog da Rita Taborelli, Prato de Papel, nova colunista da revista Bons Fluidos, pelo que entendi, substituindo a Sônia Hirsh. Bom, deixa eu ir que está na hora do almoço... depois eu conto o menu...

14 Outubro, 2009



"Dois homens chegam com tinas de berinjela. Compridas, esguias, casca bem lisa e violeta, com folhas e talos intactos. Acho que dizem alguma coisa como se precisar mais, é só dizer, senão nós traremos mais amanhã. Berinjelas compridas, esguias, casca bem lisa, recém-colhidas, rapidamente lavadas na pia batismal. São então levadas à mesa de trabalho, em que, depois de secas, o talo é retirado. Deixando-as inteiras mas fazendo cortes profundos em sua superfície, as viúvas rolam as berinjelas em uma caixa contendo uma mistura de farinha, farelo de pãp, são marinho e queijo pecorino ralado. Rolam, dão umas batidinhas e rolam de novo, pressionando a mistura seca para dentro dos cortes mais mínimos. Depois deitam aqueles bichos estranhos sobre bandejas forradas de papel e as levam até os fogões, onde outras viúvas aguardam, para mergulhá-las em óleo fervente, poucas de cada vez. Deixam-na flutuar, sem mexer, até que o miolo fique bem macio e a casca, crocante e de um bronzeado escuro. Então as retiram com uma escumadeira e as recolocam nas bandejas forradas de papel, esfregando grandes cristais de sal marinho entre as mãos sobre elas, enquanto ainda estão bem quentes. As berinjelas são então levadas para o salão de refeições, onde ficarei sabendo, mais tarde, que são servidas quase frias e ainda crocantes, com um molho de tomate cru temperado com manjerona. E vou saber que não são servidas ainda quentes, direto da panela, para que, ao esfriarem, seus sabores se misturem e se intensifiquem. Saberei, também, que tenho uma alarmante capacidade para me empanturrar com elas."



Um certo verão na Sicília. Uma históris de amor

Marlena de Blasi

Editora Objetiva, 2009.

07 Julho, 2009

Este é um blog de culinária mas...

Na realidade, este é mais um post justificativa. Sei que ando sumida ultimamente, mas existem algumas boas razões para isto. Há duas semanas mais ou menos que a família toda resolveu adoecer - eu e os filhotes fomos vítimas de uma virose super forte e ficamos, os três, completamente entregues. Mas um dos principais motivos do afastamento está intimamente ligado com os novos rumos que pretendo dar a minha vida pós-doutorado. Não é preciso dizer que todo o processo de escrever uma tese esgota qualquer um, mas no meu caso, já faz algum tempo que venho sentindo realmente falta de me dedicar a outras paixões que não a literatura. A verdade verdadeira é que estou completamente tomada pela idéia de voltar a me dedicar às minhas outras vocações, dentre as quais, a costura. Ganhei uma máquina e estou pensando em aprender a usá-la. Voltei a fazer aulas de quilting e voltei a bordar - e isto toma um tempo danado. Tenho feito colchas de retalhos, bichinhos de pelúcia, almofadas, pontos de cruz, ou seja, tenho brincado bastante. Mas tenho cozinhado também e hoje fiz umas madeleines de milho deliciosas - embora, definitivamente, não me entenda com as minhas forminhas. Sorte que tenho poucas e o restante da massa assei em forminhas de mini muffins - que ficaram muito mais graciosas.
Mas de todo modo a receita é dez!


Madeleines de Milho (receita de Claudia Freyre)

150 g de açúcar
3 ovos
raspas de 1 limão
100 g de farinha de trigo
50 g de fubá de milho
10 g de fermento em pó
100 g de manteiga amolecida

Com o auxílio de um fouet, bater os avos, o açúcar e as raspas de limão. Acrescentar as farinhas e o fermento e, por último, a manteiga. Deixar a massa repousar por 20 minutos. Depositar nas forminhas já preparadas e assar por 20 minutos.










30 Maio, 2009

Mar Profundo


Ontem, procurando um livro em minha bagunçada estante, me deparei com este exemplar - o romance Mar Profundo, de Romesh Gunesekera. Na ocasião de minha leitura, lembro-me de ter ficado encantada com ele, lembro-me, até, de ter escrito uma resenha um pouco mais elaborada, tentando falar um pouco da importância de ler esta geração de autores surgidos na esteira dos estudos pós-coloniais. Mas depois de uma rápida busca no meu computador, me dei conta de que ela havia, definitivamente, desaparecido. Mas não tem problema, deixo aqui pelo menos um pequeno registro sobre o livro. Na sua orelha lemos:



“ Mar Profundo (...) é uma exótica história de crescimento e perda que se passa no exuberante paraíso do Sri Lanka (então Ceilão), pequena ilha ao sul da Índia. O narrador é Triton, que, aos onze anos, passa a trabalhar na casa do senhor Salgado (...) aprende a cuidar da casa e a lustrar a prataria. Mas seu destino é mais sutil, e ele logo começa a assar pão, bolo de amor com castanhas-de-caju frescas; a preparar panquecas de arroz com curry de peixe, bolinhos os mais variados, camarões em suflê de rum e peixe-papagaio cozido no vapor com sambol de pimenta, além de um sem número de outras delícias. (...) Conforme Triton conta a sua história, uma extraordinária voz emerge: ingênuo e sábio, temeroso e bravo, um menino tornando-se homem em um mundo à beira do caos, às vésperas das guerras étnicas que assolaram a ilha a partir da década de 1980”.


Aí vai uma nota história sobre o Sri Lanka: Lembram-se dos famosos versos de Camões “As armas e os barões assinalados / Que, da Ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Traprobana,” ? Pois é, a Traprobana era o Sri Lanka, ilha povoada desde o século X pelos árabes. Em 1517, os Portugueses lá fundaram a cidade de Colombo, e a ocuparam até o final do século XVIII quando, os franceses tomaram e a batizaram de Ceylon. Alguns anos depois, em 1802, ela foi oficialmente cedida à Grã-Bretanha, e passou a ser uma colônia real. Só em 1948 é que o Sri Lanka conseguiu sua independência.

29 Maio, 2009

"Nata Cozida"


A Panna Cotta tradicional é uma sobremesa bastante simples da culinária italiana da região do Piemonte. Feita com creme de leite fresco, gelatina, açúcar e baunilha, ela se presta a uma infinidade de acompanhamentos, como caldas de frutas frescas e chocolate. Mas não é sempre que temos creme de leite fresco em casa, não é mesmo? Pelo menos aqui em casa não. No mercadinho mais próximo não vende, nem na padaria do bairro, por isto só compro quando vou ao Hortifrutti ou a algum mercado um pouco mais chiquezinho. Ocorre que ontem resolvi fazê-la com leite e ficou super interessante. Aromatizei o leite com folhinhas de alecrim fresco e baunilha e usei a proporção básica: duas xícaras de leite, ½ xícara de açúcar e um pacotinho de gelatina em pó sem sabor.

Panna Cotta de Alecrim com Morangos
2 porções

1 xícara de leite
Folhas de alecrim fresca
¼ de xícara de açúcar
1 ½ cc de gelatina em pó sem sabor
½ cc de extrato de baunilha

Para a calda:

Morangos frescos fatiados
1 colher de chá de manteiga
1 colher de sopa de açúcar
1 pinguinho de água

Separe ¼ do leite e despeje a gelatina dentro, para hidrata-la. Enquanto isto ferva o leite com o açúcar, o alecrim e a baunilha. Faça-o muito lentamente, em fogo bem baixinho, para que o leite fique bem aromatizado. Quando ferver, despeje um pouquinho do leite na gelatina. Dissolva bem e volte tudo à panela. Quando estiver tudo bem diluído, coe a misture e a deposite em duas pequenas forminhas. Leve ao freezer por 1 hora e então, deixe-as na geladeira até a hora de servir. Desenforme-as e espalhe a caldinha por cima. Para a calda, basta levar todos os ingredientes ao fogo, até atingir a consistência desejada.

28 Maio, 2009

Vocês sabiam que existem caçadores de frutas? Pois é, eu também não sabia, até ter em mãos o livro de Adam Leith Gollner, Caçadores de frutas: uma história de natureza, aventura, comércio e obsessão.

Mas confesso que sempre desconfiei que esta seria uma ótima ocupação para um de meus filhotes. Na verdade, preciso ser ainda mais sincera, tenho certeza que sua verdadeira vocação é esta. Desde pequeno ele demonstra um raro talento para isto. Seu livro preferido na primeira infância foi o maravilhoso O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado, de Audrey Wood & Don Wood.




E até hoje um de seus passatempos favoritos é “caçar” frutas no Jardim Botânico. Ano passado, em sua escola, foi instituído o dia da fruta – toda sexta-feira ele tinha que levar uma fruta para compartilhar o lanche com os amigos. Quase enlouqueci – não podia nunca ser uma simples banana, ou uma boa maça, ou uma bonita pêra. Tinha que ser algo diferente – toda semana era a mesma história. Resultado, virou fã incondicional de marmelos e limões sicilianos, o qual saboreia como laranja. E finalmente ontem me fez comprar uma pitaia, ou fruta-dragão – fruta que acho realmente linda, mas que custa uma verdadeira fortuna. Para mais informações sobre a pitaia, clique aqui.


Aí vai uma receita tentadora:

Granita de Pitaia

450 de polpa de pitaia em cubinhos
80 g de açúcar
½ suco de 1 limão
150 g de água

Leve tudo ao fogo e deixe ferver. Desligue, espere esfriar e leve ao freezer. Ao longo do congelamento, quebre a misture com o auxílio de um garfo. (Fica com a textura de uma raspadinha).

Fonte: blog Gourmandise