30 janeiro, 2010

Chefs for Humanity

Do trabalho conjunto de profissionais da culinária e educadores surgiu o Chefs for Humanity, uma organização que tem por objetivo difundir valores nutricionais e prestar serviços em situações de emergência, contribuindo para a redução da fome no mundo. Fundado e presidido pela chef Cat Cora, o Chefs for Humanity já desenvolveu programas em Honduras, na Nicarágua, no Congo e na Zâmbia, e agora está se mobilizando para ajudar o Haiti. Para saber mais, acesse o site.

29 janeiro, 2010

Encantada

Estou encantada com o trabalho de Estevão Ribeiro nas tiras d' Os Passarinhos!







Principalmente com o Hector. Vale a pena conhecer. Aqui.

“La sauce fait manger”

http://wolfandwillow.typepad.com/wolf-and-willow/

Com o calor que tem feito na cidade maravilhosa só temos uma possibilidade de refeição: saladas. Saladas, saladinhas e saladões!

De modo algum esta afirmação é restritiva – ao contrário, pode-se fazer saladas de tudo. Para as saladas, o céu é o limite. À grande variedade de folhas verdes e de legumes que, no mais das vezes, servem de base para a salada, pode-se acrescentar grãos e proteínas, frutas e oleaginosas. Na verdade, tem salada para todos os paladares e gostos pessoais. Tem salada de massa, tem salada de pão, tem salada de ovo, tem salada do que você quiser comer. E os ingredientes podem ser crus ou cozidos, assados ou escaldados, grelhados ou germinados...
O legal é brincar com as possibilidades. E uma das minhas brincadeiras favoritas é elaborar molhos, de texturas, sabores e cores diferentes. E gosto também de guardá-los em potes variados – acho que confere um charme todo especial. Uma vez eu li no livro do Celeiro (aliás, o lugar onde se come a melhor salada do mundo) que, como a maioria dos molhos possui uma grande durabilidade, eles podem ser guardados na geladeira – o que significa que a sua geladeira vai fazer você lembrar dos vidrinhos com líquidos encantados da Alice.

Vejamos algumas receitas:


- Vinagrete balsâmico

3 c s de vinagre balsâmico
1 c s de mostarda dijon
1 dente de alho pequeno picado
1 colher de chá de cebola roxa picada
1 pitada de tomilho
½ x de azeite de oliva extra-virgem
Sal e pimenta

Misture todos os ingredientes muito bem.

- Molho de cenoura e gengibre

¼ de x de cenoura finamente ralada
3 c s de cebolinha verde picada
2 c s de suco de limão
2 c s de saquê culinário
2 c s de vinagre de arroz
1 c s de shoyu
2 c c de gengibre ralado
1 c c de óleo de gergelim.

Liquidifique tudo.

- Molho cremoso de coentro

½ x de iogurte natural
¼ x de coentro fresco picado
3 c s de suco de limão
2 c s de azeite de oliva extra-virgem
Sal e pimenta

Misture tudo muito bem.

- Molho de maçã com curry (do Celeiro)

½ maçã, descascada e ralada grossa
½ c s de suco de limão
1/3 de xícara de maionese
1/3 de xícar de iogurte natural
1 c c de curry
1 ½ c s de pimentão vermelho em cubinhos

Passe a maçã no caldo de limão, para que não escureça. Em um recipiente, coloque a maionese, o iogurte e o curry junto à maçã e misture bem com uma colher. Acrescente, por último, o pimentão, mexendo levemente, para que ele não manche o molho.
Coloque em um vidro bem fechado e conserve na geladeira. Dura 3 dias.

- Iogurte com chutney (do Celeiro)

¾ de xícara de iogurte natural desnatado
¼ de xícara de chutney de manga ou pera
½ c s de suco de limão.

Liquidifique tudo. Dura 5 dias.


Nota histórica: Os molhos nasceram da necessidade de salgar os alimentos por igual – os assim chamados sauce ou salsa. Posteriormente é que se desenvolveu a idéia de apenas “molhar” e, com isto, complementar o alimento.
No Brasil, mais precisamente no Nordeste, encontramos ainda a idéia de que o molho pode ser mais importante do que apropria comida, como fica evidente no dito popular “faça molho e bote pedras”.
Mas é preciso lembrar, também, que os molhos já foram usados para disfarçar a deteriorização dos alimentos.

28 janeiro, 2010

Tempo de Amizade!!

Eu tenho uma amiga especial!!!
Sabe aquela amizade que só te dá alegria? Pois é... eu me sinto realmente especial quando estamos juntas. Nos conhecemos desde a graduação, mas nossas vidas continuam sempre entrelaçadas. A Jô (este é o nome dela) tem uma paixão – bolos e afins. Entende tudo do negócio. Se você quer o contato de alguém que faz bolos incríveis, liga para ela. Se você quer o contato de alguém que faz docinhos incríveis, liga para ela. Se você quer idéias sobre temas de festas, liga para ela. E por aí vai. Todo vez que estou pesquisando algo na rede e me deparo com este assunto, ligo para ela. Mas ontem vivi uma experiência realmente linda com a Jô – estava em sua casa, fazendo uma visita, quando chegou uma caixa pelo correio. Quando a Jô abriu a caixa e viu as lindas forminhas que encomendou para a festa da sua filha Helena (uma linda menina que completará 1 década semana que vem) chegando, ela realmente se emocionou e daí eu entendi tudo. Entendi que para a JÔ, BOLO É AMOR!!! É uma forma de dizer aos outros o quanto aquela pessoa é querida e importante para nós. E como a Jô é querida e importante para mim, resolvi dedicar este post a ela e à sua paixão.




Forma de bolo cupcake, na Williams-Sonoma.


Forma de bolo cookie cake, na Williams-Sonoma.

Detalhes dos deslumbrantes bolos da cake designer Carla Ikeda.
Vale a pena dar uma olhada no programa 6 do Almanaque das Festas Instantâneas, da Casa da Chris: truques para ser uma boleira de primeira!



Na verdade, a reação emocionada da Jô me trouxe a memória uma personagem literária muito especial – Angel Tungaraza, uma boleira original da Tanzânia, residente em Ruanda. Angel, tal qual a Jô, dialoga com o mundo através de seus bolos, encontrando nas mais delicadas situações um motivo de comemoração.




“... Depois de secar as mãos, ela foi até o quarto e pegou de uma prateleira, no
guarda-roupa, um saco de plástico branco, dentro do qual havia um pacote
envolvido em plástico bolha. De volta à cozinha, pôs o pacote no balcão e seus
dedos começaram a retirar as tiras de fita adesiva que o prendiam. Angel fez
isso bem lentamente, prolongando o prazer, criando expectativa. (...) Que
tesouros estariam lá dentro?! Sim, lá estavam as cores que ela havia pedido:
vermelho, rosa, amarelo, azul, verde, preto – tudo sob a forma de pó, nada
parecido com os vidros de anilina líquida comestível disponíveis nos
supermercados libaneses da cidade, aqueles não eram nem um pouco moderno.(...)
Eh, agora seus bolos seriam mais lindos que nunca!
Essa convicção a
emocionou e as lágrimas começaram a se acumular em seus olhos...”


Assando bolos em Kigali
Gaile Parkin
São Paulo: Globo, 2009.

P.S - Semana que vem posto as fotos da festa da Helena.

25 janeiro, 2010

Segunda sem carne. Eu aderi!

Nos E.U.A, desde 2003.


Na Inglaterra, desde 2009.


E no Brasil, promovida pela SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira, com o apoio da SVMA – Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, desde 2009.



Visite as páginas oficiais das campanhas e escolha as melhores receitas. Eu já escolhi a minha.
Salada de arroz selvagem com pecans ( Anna Hansen)

Ingredientes:

2 espigas de milho ou o equivalente em grãos congelados, previamente preparados
150 g de arroz selvagem
1 pimenta dedo de moça
1 pau de canela
1 cebola roxa
3 cs de vinagre de vinho tinto
¼ cc de páprica doce
100 g de nozes pecanas
1 cs de açúcar de açúcar de confeiteiro
1 cc de cominho
½ c s de sal
1 bom punhado de coentro fresco picado
1 abacate cortado em cubinhos
Folhas de alface
100 g de queijo feta, também em cubos

Modo de fazer:

Debulhe as espigas de milho. Em uma frigideira, doure as pecans em um fio de azeite. Cozinhe o arroz com a canela e a pimenta até que ele esteja al dente. Escorra-o e deixe esfriar. Fatie a cebola e a caramelize em 1 c s de óleo. Adicione o vinagre e a páprica. Quando o vinagre evaporar, remova do fogo e junte o milho.Envolva as pecans com o açúcar, o cominho, o sal e 1 c de sopa de água. Leve-as ao forno até que fiquem douradas. Espere esfriar antes de usar.Finalmente misture o arroz, os milhos com a cebola, o abacate e as folhas de alface. Salpique tudo com as pecas, o queijo feta e o coentro fresco.
E se delicie!!!

22 janeiro, 2010

Boas Novas


O instituto de pesquisas alimentares thefoodpeople apresentou algumas das tendências no campo da alimentação e da nutição previstas para este ano. São elas:
O retorno do conforto do lar e das refeições em família (sabe-se que as refeições realizadas em família beneficiam emocional e nutricionalmente seus membros e que as crianças que participam deste ritual são mais bem sucedidas na escola); a simplicidade (preparações simples e com poucos ingredientes); a chamada confort food; a preferência pelo consumo de alimentos locais; escolhas mais conscientes tanto do ponto de vista nutricional quanto do ponto de vista da saúde do planeta e, finalmente, o investimento enérgico em programas e políticas educacionais de saúde e nutrição ( conseqüência do aumento absurdo de doenças relacionadas à má alimentação).
Vamos torcer para que a pesquisa acerte!!


fonte: Los Angeles Times

21 janeiro, 2010

Goiabeira


Como sabem, tenho investido toda a minha energia na direção de uma melhor qualidade de vida - e nesta busca a alimentação é central. Se é verdade que somos aquilo que comemos, podemos compreender o quão árdua é a tarefa de rever ou mesmo de reinventar nossos hábitos alimentares. É neste sentido que acredito realmente que devemos dar um passo de cada vez ... Uma grande coisa que podemos fazer por nós e pelo nosso planeta é adotar uma alimentação calcada em 3 aspectos fundamentais - o sazonal, o local e o orgânico. Saber de onde vem os nossos alimentos, como são produzidos e distribuídos, é um dever e um direito nosso. Do ponto de vista nutricional, cada alimento esta no seu ápice em determinada época do ano - e é nistoi que devemos basear nossa alimentação, e não nos modismos e nas facilidades do modo de produção atual, que deosita em nossa mesa as mais inusitadas iguarias dos quatro cantos do mundo ... o que sabemos tem um impacto real nas questões ambientais do momento. Mas sei que isto nem sempre é fácil ... a boa notícia é que podemos minimizar um pouco estes obstáculos com a ajuda de alguns instrumentos virtuais, como este disponibilizado pela rede Pão de Açucar, intitulado "Qualidade desde a origem". Vale a pena conferir!!!


E foi lá que descobri que estamos na época da goiaba, uma fruta rica em vitamina C. (Dizem que possui 5 vezes mais vitamina C do que a laranja e o limão). Que tal uma receita de calda de goiaba para acompanhar sorvetes? Acho que neste calor é a melhor opção.


Calda de goiaba (receita do Claude Troigrois)


6 goiabas maduras

1 colher de sopa de manteiga

200 g de açúcar

100 ml de água


Descasque e pique as goiabas. Refogue-as na manteiga, junte a água e ao açúcar e deixe cozinhar por uns 15 minutos. Bata tudo no liquidificador e peneire.

20 janeiro, 2010

Feliz novo ano novo!!!!

Há tempos que não posto nada, mas acho que este ano conseguirei dar novamente uma regularizada na vida ... E para começar o ano honrando este blog, segue uma lista das minhas últimas aquisições bibliográficas:

- COZINHA NATURAL GOURMET: A CULINARIA DE TATIANA CARDOSO E O RESTAURANTE MOINHO DE PEDRA.
São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2009.










Adorei este livro - além de bonito e cheio de receitas ótimas, ele vai bem ao encontro das minhas perspectivas culinárias - sabor & saúde sempre! Dona e chef do restaurante Moinho de Pedra, Tatiana, formada no Natural Cookery School em Nova York, acredita que a cozinha Natural Gormet representa a culinária do futuro, "porque ela une duas ideias - o sabor da gastronomia e a saúde do organismo - e ainda se compromete com a preservação do planeta".




- This Crazy Vegan Life (Kindle Edition)by Christina Pirello (Author)




Este eu comprei para inaugurar o meu kindle. E confesso que estou inteiramente encantada com meu novo brinquedo... mas brincadeiras à parte, estou me deliciando com as pequenas anotações da chef Cristina, principalmente aquelas dedicadas a derrubar os mitos persistentes que envolvem a vida dos vegetarianos.


- Bocuse em sua cozinha
São Paulo: Ediouro, 2009.







Um clássico da culinária, agora reeditado e contendo pequenas pérolas no prefácio. "Um pequeno conselho: evite, se você não for um ás do fogão, convidar mais do que oito a dez pessoas.(...) Evite também tratar seus convidados como cobaias, tentando com eles novas experiências culinárias. Limite-se a realizar os pratos que lhe são familiares, de modo que suas recepções sejam um sucesso, permitindo-lhe ficar à vontade e sorridente".


- Cozinha Italiana, 80 receitas ilustradas passo a passo.
São Paulo: Larousse do Brasil, 2009







Como todos sabem, não resito a um livro de receita italiana, minha grande paixão. Não à toa foi daqui que tirei a primeira receita do ano.


Crespelle com Espinafre e Ricota


Para a massa:


250 ml de leite
3 ovos
120 g de farinha de trigo
20 g de manteiga derretida
sal


Em um recipiente, coloque a farinha, faça uma depressão e junte os ovos, o sal e a manteiga derretida. Misture tudo com um fouet. Adicione o leite e continue batendo. Cuidado para que não formem grumos. Cubra com filme plástico e deixe descansar por 1 hora. Prepare os crepes em uma pequena frigideira, acrescentando um pouco de manteiga entre cada uma. Elas devem ficar bem finas.



Para o recheio:

600 g de espinafre fresco ou 300 do congelado
250 g de ricota e 120 g de mascarpone
80 g de parmesão ralado
1 alho e 50 g de manteiga
1 colher de sopa de azeite
pitadas de noz moscada
2 colheres de sopa de farinha de rosca
sal e pimenta do reino


Cozinhe o espinafre e escorra-o. Aqueça o azeite em uma frigideira, 30 g da manteiga e o alho cortado ao meio. Seque o espinafre em fogo médio, junte a noz moscada e tempere com sal e pimenta. Deixe esfriar e, em seguida, junte a ricota, o mascarpone, a farinha de rosca e 50 g do parmesão. Distribua um pouco do recheio sobre cada crepe e faça uma panqueca bem apertada. Corte em 4 partes. Unte um refratário com manteiga e deposite os pedaços de panqueca. Coloque o restante do parmesão e um pouco de manteiga. Gratine por 10 minutos.

OBS: Eu reguei com molho de tomate e manjericão roxo!



03 dezembro, 2009


Como acontece todo ano, dezembro chega e, com ele, chega também a hora de pensar nos cardápios das inúmeras festas de confraternização que estão se aproximando. Eu, particularmente, adoro o natal, e adoro preparar presentes comestíveis – sempre corro atrás de receitas de chutneys, de tapenades, de geléias – e também de pratos interessantes para a minha nada convencional ceia natalina. Portanto, dezembro é mês de pesquisa. Como podem ver, tenho postado super pouco, e um dos motivos mais imediatos é que minha máquina de fotografia quebrou – e, embora saiba que a qualidade de uma receita não depende em nada da qualidade das boas imagens, confesso que já tinha me acostumado com o padrão – receita/foto. Mas enquanto não resolvo o problema, resolvi ir postando mesmo assim. Estou testando algumas sobremesas para um jantar que terei dia 19 – na realidade, me comprometi com duas sobremesas, e a primeira tentativa realizei ontem – uma cheesecake de morangos com uma massa de torta bastante especial – feito com farinha láctea nestlé (receita do Claude Troigrois) e com um recheio inspirado em uma receita da Cláudia, do Sabor Saudade. Embora tenha gostado bastante dela, ainda não bati o martelo. Alguma sugestão?


Cheesecake de morangos

Para a Massa:
200 g de farinha láctea nestlá
50 g de farinha de trigo
1 pitada de sal
110 g de manteiga amolecida

Para o Recheio:
200 g de cream cheese
200 g de creme de leite
2 ovos
¾ de xícara de açúcar
Suco de 1 limão
Purê de morangos (1 cx de morangos processados)
2 colheres de sopa de maisena


Para a massa, basta agregar todos os ingredientes, depositar na forma em uma única camada e pré-assar por 10 minutos. Misture todos os ingredientes do recheio e, antes de depositar sobre a massa pré-assada, deixe por 1 hora na geladeira. Depois disto, é só despejar o recheio na forma e assar por uns 45 minutos.

29 outubro, 2009

Desabafo de mãe


Embora não tenha aparecido muito por aqui, continuo frequentando quase que obsessivamente minha cozinha. Quem acompanha o blog sabe dos meus esforços em manter uma alimentação saudável aqui em casa - mas o que parece ser simples, não é. Por exemplo: meu filhote mais novo sofre de asma, o que significa que devido aos medicamentos, ele está acima do peso - uns 7 kilos mais ou menos. Principalmente por ele, que já foi alérgico a leite de vaca e, durante anos seguiu uma dieta bastante rígida, meu esforço é dobrado. Desde que foi "liberado" da dieta, se deslumbrou e hoje, a despeito das minhas tentativas, é quase impossível demovê-lo da idéia do consumo de leite e derivados... Assim, me esforço em mandar de lanche escolar bolinhos caseiros (cenoura, abobrinhas, banana), mas qual não é a minha decepção quando descubro que ele o troca por qualquer pacotinho de biscoito industrializado... E por aí vai - as festas infantis então, são quase o meu pesadelo - fico realmente chocada com a falta de consciência dos cardápios oferecidos. Mas, ofício de mãe é assim mesmo, diariamente precisamos nos esforçar e não podemos desistir jamais! O avanço desta semana foi a adoção (com consentimento de todos) da inclusão diária de arroz integral e a abolição do consumo de carne em três dias na semana - e, para isto, estou pesquisando receitas vegetarianas que possam agradar (e não apenas nutrir) meus filhotes ... E foi assim que descobri, por exemplo, o excelente blog da Rita Taborelli, Prato de Papel, nova colunista da revista Bons Fluidos, pelo que entendi, substituindo a Sônia Hirsh. Bom, deixa eu ir que está na hora do almoço... depois eu conto o menu...

14 outubro, 2009



"Dois homens chegam com tinas de berinjela. Compridas, esguias, casca bem lisa e violeta, com folhas e talos intactos. Acho que dizem alguma coisa como se precisar mais, é só dizer, senão nós traremos mais amanhã. Berinjelas compridas, esguias, casca bem lisa, recém-colhidas, rapidamente lavadas na pia batismal. São então levadas à mesa de trabalho, em que, depois de secas, o talo é retirado. Deixando-as inteiras mas fazendo cortes profundos em sua superfície, as viúvas rolam as berinjelas em uma caixa contendo uma mistura de farinha, farelo de pãp, são marinho e queijo pecorino ralado. Rolam, dão umas batidinhas e rolam de novo, pressionando a mistura seca para dentro dos cortes mais mínimos. Depois deitam aqueles bichos estranhos sobre bandejas forradas de papel e as levam até os fogões, onde outras viúvas aguardam, para mergulhá-las em óleo fervente, poucas de cada vez. Deixam-na flutuar, sem mexer, até que o miolo fique bem macio e a casca, crocante e de um bronzeado escuro. Então as retiram com uma escumadeira e as recolocam nas bandejas forradas de papel, esfregando grandes cristais de sal marinho entre as mãos sobre elas, enquanto ainda estão bem quentes. As berinjelas são então levadas para o salão de refeições, onde ficarei sabendo, mais tarde, que são servidas quase frias e ainda crocantes, com um molho de tomate cru temperado com manjerona. E vou saber que não são servidas ainda quentes, direto da panela, para que, ao esfriarem, seus sabores se misturem e se intensifiquem. Saberei, também, que tenho uma alarmante capacidade para me empanturrar com elas."



Um certo verão na Sicília. Uma históris de amor

Marlena de Blasi

Editora Objetiva, 2009.

07 julho, 2009

Este é um blog de culinária mas...

Na realidade, este é mais um post justificativa. Sei que ando sumida ultimamente, mas existem algumas boas razões para isto. Há duas semanas mais ou menos que a família toda resolveu adoecer - eu e os filhotes fomos vítimas de uma virose super forte e ficamos, os três, completamente entregues. Mas um dos principais motivos do afastamento está intimamente ligado com os novos rumos que pretendo dar a minha vida pós-doutorado. Não é preciso dizer que todo o processo de escrever uma tese esgota qualquer um, mas no meu caso, já faz algum tempo que venho sentindo realmente falta de me dedicar a outras paixões que não a literatura. A verdade verdadeira é que estou completamente tomada pela idéia de voltar a me dedicar às minhas outras vocações, dentre as quais, a costura. Ganhei uma máquina e estou pensando em aprender a usá-la. Voltei a fazer aulas de quilting e voltei a bordar - e isto toma um tempo danado. Tenho feito colchas de retalhos, bichinhos de pelúcia, almofadas, pontos de cruz, ou seja, tenho brincado bastante. Mas tenho cozinhado também e hoje fiz umas madeleines de milho deliciosas - embora, definitivamente, não me entenda com as minhas forminhas. Sorte que tenho poucas e o restante da massa assei em forminhas de mini muffins - que ficaram muito mais graciosas.
Mas de todo modo a receita é dez!


Madeleines de Milho (receita de Claudia Freyre)

150 g de açúcar
3 ovos
raspas de 1 limão
100 g de farinha de trigo
50 g de fubá de milho
10 g de fermento em pó
100 g de manteiga amolecida

Com o auxílio de um fouet, bater os avos, o açúcar e as raspas de limão. Acrescentar as farinhas e o fermento e, por último, a manteiga. Deixar a massa repousar por 20 minutos. Depositar nas forminhas já preparadas e assar por 20 minutos.










30 maio, 2009

Mar Profundo


Ontem, procurando um livro em minha bagunçada estante, me deparei com este exemplar - o romance Mar Profundo, de Romesh Gunesekera. Na ocasião de minha leitura, lembro-me de ter ficado encantada com ele, lembro-me, até, de ter escrito uma resenha um pouco mais elaborada, tentando falar um pouco da importância de ler esta geração de autores surgidos na esteira dos estudos pós-coloniais. Mas depois de uma rápida busca no meu computador, me dei conta de que ela havia, definitivamente, desaparecido. Mas não tem problema, deixo aqui pelo menos um pequeno registro sobre o livro. Na sua orelha lemos:



“ Mar Profundo (...) é uma exótica história de crescimento e perda que se passa no exuberante paraíso do Sri Lanka (então Ceilão), pequena ilha ao sul da Índia. O narrador é Triton, que, aos onze anos, passa a trabalhar na casa do senhor Salgado (...) aprende a cuidar da casa e a lustrar a prataria. Mas seu destino é mais sutil, e ele logo começa a assar pão, bolo de amor com castanhas-de-caju frescas; a preparar panquecas de arroz com curry de peixe, bolinhos os mais variados, camarões em suflê de rum e peixe-papagaio cozido no vapor com sambol de pimenta, além de um sem número de outras delícias. (...) Conforme Triton conta a sua história, uma extraordinária voz emerge: ingênuo e sábio, temeroso e bravo, um menino tornando-se homem em um mundo à beira do caos, às vésperas das guerras étnicas que assolaram a ilha a partir da década de 1980”.


Aí vai uma nota história sobre o Sri Lanka: Lembram-se dos famosos versos de Camões “As armas e os barões assinalados / Que, da Ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Traprobana,” ? Pois é, a Traprobana era o Sri Lanka, ilha povoada desde o século X pelos árabes. Em 1517, os Portugueses lá fundaram a cidade de Colombo, e a ocuparam até o final do século XVIII quando, os franceses tomaram e a batizaram de Ceylon. Alguns anos depois, em 1802, ela foi oficialmente cedida à Grã-Bretanha, e passou a ser uma colônia real. Só em 1948 é que o Sri Lanka conseguiu sua independência.

29 maio, 2009

"Nata Cozida"


A Panna Cotta tradicional é uma sobremesa bastante simples da culinária italiana da região do Piemonte. Feita com creme de leite fresco, gelatina, açúcar e baunilha, ela se presta a uma infinidade de acompanhamentos, como caldas de frutas frescas e chocolate. Mas não é sempre que temos creme de leite fresco em casa, não é mesmo? Pelo menos aqui em casa não. No mercadinho mais próximo não vende, nem na padaria do bairro, por isto só compro quando vou ao Hortifrutti ou a algum mercado um pouco mais chiquezinho. Ocorre que ontem resolvi fazê-la com leite e ficou super interessante. Aromatizei o leite com folhinhas de alecrim fresco e baunilha e usei a proporção básica: duas xícaras de leite, ½ xícara de açúcar e um pacotinho de gelatina em pó sem sabor.

Panna Cotta de Alecrim com Morangos
2 porções

1 xícara de leite
Folhas de alecrim fresca
¼ de xícara de açúcar
1 ½ cc de gelatina em pó sem sabor
½ cc de extrato de baunilha

Para a calda:

Morangos frescos fatiados
1 colher de chá de manteiga
1 colher de sopa de açúcar
1 pinguinho de água

Separe ¼ do leite e despeje a gelatina dentro, para hidrata-la. Enquanto isto ferva o leite com o açúcar, o alecrim e a baunilha. Faça-o muito lentamente, em fogo bem baixinho, para que o leite fique bem aromatizado. Quando ferver, despeje um pouquinho do leite na gelatina. Dissolva bem e volte tudo à panela. Quando estiver tudo bem diluído, coe a misture e a deposite em duas pequenas forminhas. Leve ao freezer por 1 hora e então, deixe-as na geladeira até a hora de servir. Desenforme-as e espalhe a caldinha por cima. Para a calda, basta levar todos os ingredientes ao fogo, até atingir a consistência desejada.

28 maio, 2009

Vocês sabiam que existem caçadores de frutas? Pois é, eu também não sabia, até ter em mãos o livro de Adam Leith Gollner, Caçadores de frutas: uma história de natureza, aventura, comércio e obsessão.

Mas confesso que sempre desconfiei que esta seria uma ótima ocupação para um de meus filhotes. Na verdade, preciso ser ainda mais sincera, tenho certeza que sua verdadeira vocação é esta. Desde pequeno ele demonstra um raro talento para isto. Seu livro preferido na primeira infância foi o maravilhoso O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado, de Audrey Wood & Don Wood.




E até hoje um de seus passatempos favoritos é “caçar” frutas no Jardim Botânico. Ano passado, em sua escola, foi instituído o dia da fruta – toda sexta-feira ele tinha que levar uma fruta para compartilhar o lanche com os amigos. Quase enlouqueci – não podia nunca ser uma simples banana, ou uma boa maça, ou uma bonita pêra. Tinha que ser algo diferente – toda semana era a mesma história. Resultado, virou fã incondicional de marmelos e limões sicilianos, o qual saboreia como laranja. E finalmente ontem me fez comprar uma pitaia, ou fruta-dragão – fruta que acho realmente linda, mas que custa uma verdadeira fortuna. Para mais informações sobre a pitaia, clique aqui.


Aí vai uma receita tentadora:

Granita de Pitaia

450 de polpa de pitaia em cubinhos
80 g de açúcar
½ suco de 1 limão
150 g de água

Leve tudo ao fogo e deixe ferver. Desligue, espere esfriar e leve ao freezer. Ao longo do congelamento, quebre a misture com o auxílio de um garfo. (Fica com a textura de uma raspadinha).

Fonte: blog Gourmandise

26 maio, 2009

Uma boa surpresa!!




Uma das coisas que adoro fazer é reler meus antigos livros de receitas. É sempre uma nova viagem. Receitas que nem me lembrava mais ou que na época em que vi, não me diziam nada. É que nossos gostos e sensibilidades estão sempre em mutação - o que é bom demais! Foi o caso desta inusitada sopa de Tortelloni com coco, retirada de um livro intitulado Massas, de Sally Mansfield, editado pela Manole. A verdade verdadeira é que eu não me lembrava, sequer, de ter lido esta receita algum dia, mas quando ontem bati os olhos nela, me encantei e resolvi prepará-la. E a prepararei muitas vezes ainda...

Sopa de tortelloni com coco

1 1/2 colher de sopa de azeite
325 g de tortelloni
1 cebola fatiada
2 alhos picados
200 ml de leite de coco
200 ml de leite
475 ml de caldo de legumes
1 maço de manjericão
125 g de queijo minas picadinho
sal e pimenta

Refogue as cebolas e o alho no azeite. Junte o leite de coco, o leite, o caldo e meio maço de manjericão. Deixe ferver e liquidifique. Volte à panela. Enquanto isto, prepare o tortelloni conforme instruções da embalagens. Quando estiverem prontos, escorra-os e junte-os à panela com o caldo de coco. Junte o manjericão restante e os pedacinhos do queijo. Está pronta.

25 maio, 2009

Deu no New York Times...


... a comida brasileira está de volta à mesa!!

23 maio, 2009

Sabe aquele curd de maracujá?


Virou recheio de pão de ló!

21 maio, 2009

Ando investindo em novos hábitos alimentares, utilizando legumes e verduras que não costumo comer com tanta freqüência. E o resultado tem sido maravilhoso. São descobertas cheias de sabores e promessas de novas receitas. E o melhor de tudo, o meu filhote mais chatinho para comer, que costuma implicar um pouco com alimentos que não tem o hábito de ver na mesa, comeu tudinho, sem reclamar. Inacreditável!!


Os dois eleitos da semana foram os rabanetes e o repolho roxo.



Os rabanetes sempre me intrigaram um pouco – nunca entendi direito como alguém pôde arriscar tanto pelo simples desejo de comer rabanetes. É claro que todos devem se lembrar da história da Rapunzel, pois é. Mas o mais inusitado foi descobrir que existem rabanófagos, ou seja, uma espécie de comedores compulsivos de rabanetes. Gil Vicente, um dramaturgo português do século XVI, fala “dessa gente sustentada a rabanetes”, e por aí vai...
O fato é que aqui em casa, agora, somos uma família rabanófaga.

Receita: Corte os rabanetes em quatro partes. Cozinhe-os em uma frigideira com um pingo d'água, sal, pimenta, 1 pedaçinho de manteiga e 1 colher de sopa de açúcar. Deixe a água evaporar - o que irá torná-los levemente caramelizados.


Quanto ao repolho roxo, a novidade ficou por conta do modo de preparo, pois costumo fazer saladas com ele. E desta vez o preparei na panela ...

Receita:
1 kg de repolho roxo
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de cebola picadinha
1/2 xícara de passas brancas sem sementes
2 colheres de sopa de açucar
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
1 1/2 colher de chá de sal
Refogue as cebolas no azeite. Acrescente o repolho cortado fininho, e o restante dos ingredientes. Tampe a frigideira, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 15 minutos.

Aí vão algumas dicas literárias sobre o assunto:
Rabiscos e Rabanetes, de Sylvia Orthof
O Grande Rabanete, de Tatiana Belinky
Este não é rabanete, mas vale a pena dar uma olhada:

O Nabo Gigante, de Alexis Tolstoi

Editora Girafinha

20 maio, 2009

Ponto para Júlia!


"(...) Ora, desde que o enfarruscador ofício de temperar panelas se enfeitou com o nome de arte culinária, temos uma certa obrigação de cortesia para com ele. E concordemos que é uma arte pródiga e fértil. Cada dia surge um pratinho novo com mil composições extravagantes, que espantam as menagères pobres e deleitam os cozinheiros da raça! Dão-se nomes literários, designações delicadas, procuradas com esforço, para condizer com a raridade do acepipe. Os temperos banais, das velhas cozinhas burguesas, vão-se perdendo na sombra dos tempos. Falar em alhos, salsa, vinagre, cebola verde, hortelã ou coentro, arrepia a cabeluda epiderme dos mestres dos fogões atuais. Agora em todas as despensas devem brilhar rótulos estrangeiros de conservas assassinas, e alcaparras, trutas, manteiga dinamarquesa (o toucinho passou a ser ignominioso), vinho Madeira para adubo do filé, enfim tudo o que houver de mais apurado, cheiroso e... caro!
As exigências crescem, ameaçam-nos e, sem paradoxo, somos comidos pelo que comemos. Isto vem à propósito de uma exposição de arte culinária que se fez, há pouco tempo, em Paris. Imaginem como aquilo deve ser encantador e apetitoso! Quem já viu as vitrines das charcuteries, das crémeries, das confeitarias, etc., e que sabe com quanto mimo e elegância são expostos os queijos, os paios e os pastéis, entre bouquets de lilases e fofos caixões de papéis de seda bem combinados, crespos e leves como plumas, imagina que de novidades graciosas se juntarão no Palácio da Indústria. Naturalmente, cada expositor é um arquiteto e um artista na combinação das cores. Fazem-se castelos de biscoitos, torres engenhosas de chocolate, de creme, de morangos, onde tremulem, em cristalizações policromas, as gelatinas de frutas ou de aves, refletindo luzes entre lacinhos de fita e flores frescas, porque o francês tem a preocupação gentilíssima de deleitar sempre os olhos alheios. Abençoada mania!
O que eu invejo não são as trutas, nem os champignons, nem o seu foie-gras, porque tudo isso temos nós aqui e mais muitas coisas que eles lá desconhecem. O que eu invejo é aquela facilidade, aquela graça das exposições que se sucedem e se multiplicam e que não podem deixar de ser úteis, porque abrem a curiosidade e ensinam muito.A cozinha francesa tem-se intrometido em toda a parte. A Inglaterra opõe-lhe forte resistência com as suas batatas cozidas e presunto cru; mas a nossa, por exemplo, está muito modificada por ela. Entretanto, temos pratos característicos, só nossos e que eu teimo em achar gostosos. Infelizmente falta-lhes o chique, o lado onde se possa atar a tal fitinha ou colocar o buquê de violetas do inverno ou do muquet da primavera.
O feijão preto com o respectivo e lutuoso acompanhamento não se presta por certo para a coquetterie de um adorno mimoso, mas nem por isso deixa de ser da primeira linha. Depois temos os pratos baianos, o afamado vatapá e outros, quentes e lúbricos, e o churrasco do Rio Grande, e o cuscuz de São Paulo, e tantos que eu ignoro e que descobrem, demonstram, por assim dizer, as tendências, o temperamento do povo.
Um país como o Brasil tão vasto e variado não teria proporções mais curiosas para realizar uma exposição neste gênero? Só de frutas, que, tratando-se da mesa, tem todo o lugar, e de doces... imaginem: faríamos um figurão! geralmente caluniam-se as frutas brasileiras e parece-me tempo de lhes irmos dando a merecida importância. Não há nenhum brasileiro que conheça todas as frutas do seu país. O europeu desdenha-nos nesse sentido; esquece-se de que em muitos lugares do Paraná, Minas e Rio Grande, desenvolvem-se peras magníficas, damascos, cerejas, nozes, etc. E as frutas e as hortaliças indígenas? Inumeráveis!
O que falta à nossa gourmandise é poder agrupá-las, poder escolher, na mesma terra, estas ou aquelas, e isso só se poderá fazer se houver aqui, algum dia, como agora em Paris, quem dê importância à mesa, e procure, por meio de exposições, facilitar esse ramo de comércio, educar o povo, e dar-lhe um elemento novo de prazer e de saúde.


"A Arte Culinária", de Júlia Lopes de Almeida. Livro das donas e donzelas, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1906.