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06 fevereiro, 2013

Educação e Leitura


A educação é hoje um tema prioritário na agenda do país. Muito se tem discutido acerca do papel da escola na nossa sociedade. Os diagnósticos são muitos, as alternativas também - são inúmeras correntes pedagógicas pensando novas concepções, novos projetos, novas metodologias. Mas alguns pontos são comuns a todas elas, sobretudo a importância da leitura na educação.
Há quem preconize o fim da escola mas, na realidade, o que está ocorrendo é uma transformação profunda em seu papel- ela não pode mais ser vista e entendida como mantenedora da Ordem no sentido mais amplo (é um novo paradigma que se está desenhando). A escola não mais como reprodutora de conhecimento (não há mais espaço para a homogeneização cultural, missão que já foi a da escola), mas como produtora de conhecimento. E é só através do conhecimento que nos afastamos de preconceitos e descobrimos um mundo novo.
É preciso, para isto, formarmos indivíduos criativos, produtores de conhecimento e não apenas consumidores - daí a ênfase dada por educadores de todas as áreas e linhas pedagógicas para a necessidade de resgatarmos o hábito da leitura. O leitor é um sujeito ativo - ele participa daquilo que está lendo, descobre novos mundos, viaja por terras desconhecidas, atua decisivamente no desfecho de sua história. Carlos Drummond de Andrade nos fala desta capacidade lúdica do ato de leitura:

"Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais (...)
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé".

É justamente esta capacidade crítica do leitor que está sendo resgatada quando valorizamos o hábito da leitura. Mas como fazer isto? Segundo Roland Barthes, obrigar um indivíduo a ler "seria o mesmo que baixar um decreto obrigando todo cidadão a ser felis". Existem inúmeras maneiras de fazermos isso: é só trabalharmos nesta direção - e não apenas a Escola ou os professores, mas toda nossa sociedade.


Aí vão três exemplos de Escolas que ousaram procurar se redefinir:

Escola da Ponte, localizada em Portugal.

Scuola dell'infanzia La Villetta, na região italiana de Reggio Emilia. Para maiores informações ver o livro de Giordana Rabitti, publicado pela Artmed, intitulado
À procura da Dimensão Perdida: Uma escola de Infância de Reggio Emília.

E a experiência da
Escola-bairro de Vila Madalena, em São Paulo.

14 abril, 2012

Letras inspiradoras


Não é segredo algum que eu acredito verdadeiramente no poder das palavras. De palavras cozinhadas a receitas curativas, de plantas encantadas a boa literatura!
Como um bom apotecário (tal e qual o narrador criado por Héctor Abad) e uma aprendiz de florais, recomendo a todos livro de receitas para mulheres tristes, editado pela Cia das Letras.
Umas gotas:
"Para a economia da coisa pública, contudo, é conveniente deixar os remédios para quem deles precisa. Quando você gozar de saúde e de um amor correspondido, coma alimentos crus: abocanhe a maçã, beba suco de frutas, ponha entre duas fatias de sumarentas peras um pedaço de queijo seco. O queijo com pera alimenta o amor feliz."
Posologia:
Leia aos bocados, pelo menos 4 x ao dia. Por tempo indeterminado!

10 fevereiro, 2011

Tecendo histórias ao redor da mesa


Não é novidade para ninguém que os encontros que ocorrem ao redor da mesa são ocasião de muitas conversas interessantes. O hábito de compartilhar histórias ao longo de refeições é tão antigo quanto se possa imaginar. A novidade neste caso, diz respeito especificamente ao assunto falado – a vida sexual das iranianas.

Consideradas pelo resto do mundo como mulheres altamente submissas, subjugadas não apenas pelos homens, mas, sobretudo pela letra da lei e pelo peso da tradição, estas mulheres desenvolveram mecanismos de resistência que, no limite, lhes asseguram caminhos possíveis de sobrevivência. É mais um tributo de Marjane Satrapi, agora às mulheres iranianas.
Marjane Satrapi é autora de Persépolis, Frango com Ameixas e Bordados, todos eles publicados pela Cia das Letras.

10 dezembro, 2010

Solar

Minha mãe cozinhava exatamente
arroz, feijão-roxinho,
molho de batatinhas.
Mas cantava.



Adélia Prado

08 novembro, 2010

Gourmet




Não tenho postado nada ultimamente, é que minha vida entrou num turbilhão enlouquecido de trabalho – e todos trabalhos novos e desafiantes, que tem mobilizado todo o meu tempo e a minha energia. Um dos meus novos projetos envolve a leitura de histórias em quadrinhos e, por isto, acabei me deparando com um mangá absolutamente genil. Tá certo que eu levei uma surra de início – a estrutura do mangá é bem diferente dos HQs tradicionais, mas já estou pegando a manha e me deliciando com o excelente Gourmet, de Jiro taniguchi e Masayuki Kusumi, editado pela Conrad.
Eis um pequeno resumo da obra, segunda os próprios editores:
“Dezoito pratos, dezoito lugares diferentes. A cada capítulo, o personagem principal experimenta um prato tipicamente japonês e traz à tona lembranças perdidas e encontros furtivos, enquanto aproveita os pequenos instantes de descanso solitário para saborear sua refeição.”
Uma viagem pela culinária japonesa – altamente inspiradora!

21 setembro, 2010

Dia da árvore


Leitura obrigatória - A Árvore Generosa, de Shel Siverstein

A árvore generosa é uma fábula em preto-e-branco sobre a amizade, a consciência ecológica e a passagem para a vida adulta. Os estreitos laços que aproximam o menino e a árvore transformam-se, pouco a pouco, em distância e silêncio. Ela sempre acolhe e oferta; ele tudo pede e retira. A árvore propõe uma relação de troca sincera e desinteressada - essa que o menino parece desaprender quando vira homem. No Brasil, a delicada narrativa criada por Silverstein foi traduzida pelo renomado escritor mineiro Fernando Sabino. Pautando-se pelo respeito aos leitores, a nova edição da Cosac Naify restabeleceu o formato original (e generoso) do livro. Para além das questões ecológicas, ele sugere um horizonte de cidadania e responsabilidade social em escala planetária.

Obs: texto da própria editora.

18 setembro, 2010

Memórias de açúcar


"Numa tarde, diante do prato raspado da sobremesa, perguntei à minha imagem polida feito espelho de onde é que vinham os doces, e se suas histórias tinham começo, meio e fim. Pega de surpresa, minha cara lambuzada do outro lado nem piscou. Eu tinha acabado de devorar os personagens principais."


Assim começa a viagem de Lucrecia Zappi pelo mundo dos doces. Em edição hiper cuidadosa, típica da Cosacnaify, Mil-folhas, história ilustrada do doce, cativa o leitor não apenas pela narrativa, mas pelas belíssimas ilustrações que recheiam o volume. E o livro ainda nos oferece dois presentes - ao final, em uma simpática engenharia de papel, destacamos algumas folhas e as remontamos (seguindo as instruções), formando um pequeno livro de receitas, para anotarmos as nossas preferidas. E o outro presente é o lindo texto da quarta capa, assinado pela Mari Hirata. Quem acompanha o blog sabe que eu sou absolutamente encantada pelo seu trabalho e que não me canso de ficar admirada com a sensibilidade evocada por suas palavras - com uma economia narrativa absolutamente fantástica, Hirata é capaz de transmitir sua paixão pela culinária e, mais do que isto, é capaz de dar sentido à nossa labuta diária - seja na cozinha seja em qualquer lugar.



06 setembro, 2010

Gabinete de Curiosidades


"Tem mais folhas uma pereira que Em busca do tempo perdido?"
Pablo Neruda

23 agosto, 2010

Letras e sabores iranianos


Organizando os arquivos do blog me dei conta de que nunca postei a indicação do livro A Sopa de Romã, da iraniana Marsha Mehran. Não entendi como isto foi acontecer - pois o livro, além de muito bacana, foi traduzido pela Nina Horta – o que para mim é sinônimo de qualidade.

Segue um pequeno texto sobre o livro, da própria editora, a Jaboticaba.

“Na verdade, Sopa de romã é uma magnífica festa para os sentidos. Em cada página, em cada parágrafo, em cada linha, uma sucessão de perfumes, sabores, texturas, cores... Ingredientes exóticos, preparados pelas mãos calejadas da jovem Marjan, culminam em combinações sempre surpreendentes e de efeitos mágicos. Tudo gira em torno do Café Babilônia, onde ela e suas irmãs mais novas – Bahar e Layla – tentam se estabelecer no interior da Irlanda, depois de passarem por Londres, fugindo das dificuldades de sua terra natal, o Irã. Ainda são fortes as lembranças da fuga de Teerã, da travessia do deserto de Dasht-e Lut, em meio à revolução que culminaria por levar o Aiatolá Khomeini ao poder, em 1979.”

Um detalhe bastante interessante do livro, é que ele começa cada capítulo com uma receita, que funciona como uma espécie de epígrafe do texto. Eis uma que eu já fiz:

Refresco de iogurte dugh

2 xícaras de iogurte
3 xícaras de água mineral
3 colheres de hortelã picada
1 colher de chá de sal
½ colher de chá de pimenta do reino moída na hora
Folhas de hortelã para enfeitar

Misture os ingredientes numa jarra ou caneca grande. Junte o gelo devagar, à medida que mexe. Enfeite com folhas de hortelã.


Boa leitura para todos!!

20 agosto, 2010

Leitura para o fim de semana


Leitura deliciosa esta que Bob Spitz nos propicia. Uma espécie de relato de viagem misturado com autobiografia e crônica gastronômica, a narrativa de Aprendiz de Cozinheiro intercala reflexões bastante diversas sobre o entendimento da culinária – ora valorizando a expertize dos franceses e a sua relação quase estética com o sabor, ora a simplicidade da comida que é carregada de referências familiares, típica da culinária italiana.

Mas o legal é que Bob consegue um equilíbrio fantástico entre os dois paladares e nos apresenta uma galeria de personagens cuja existência gira em torno da comida. E, de brinde, como uma cereja em cima do bolo, ganhamos deliciosas 25 receitas ... Eu já fiz a minha!

Ameixas ao Armagnac

½ kg de ameixas sem caroço
Água para cobrir
½ xícara de açúcar
Armagnac ou brandy

Ferva numa panela água suficiente para cobrir as ameixas. Adicione-as e imediatamente apague o fogo. Deixe que descansem por 10 minutos naquela água, o suficiente para que inchem (se reidratem). Escorra, reservando o líquido, e guarde as ameixas num saco ziploc para esfriarem.
Faça uma calda simples e leve, fervendo o açúcar com a água que ficou reservada. Coloque as ameixas numa jarra e acrescente a calda até ocupar metade do espaço acima das frutas. Complete com Armagnac ou Brandy. As ameixas podem ficar guardadas assim por meses, ou até anos. Use quando necessário.


Para saber mais, visitem o site da editora ZAHAR.

23 março, 2010

Callaloo

Ganhei Terras Baixas (de Joseph O’Neill, edição da Alfaguara) de presente de aniversário. Não conhecia o autor e nunca tinha ouvido falar nele. A sinopse, confesso, não era muito animadora, algo relacionado ao jogo de críquete que, outra confissão, pouco ou quase nada sabia do assunto e, tampouco, me interessava saber. Mas, presente é presente e livro é livro. Ou seja, eu o leria de qualquer maneira. E eis que fui duplamente presenteada – eu simplesmente amei o livro. Há muito tempo que não me envolvia assim com uma narrativa, que não saboreava a palavra escrita desta forma, tão intensamente. É claro que depois disto corri atrás de informações sobre o autor e resenhas sobre o livro que, conforme imaginei, vem colecionando elogios e prêmios por aí.
A outra coincidência interessante foi conectar este a mais dois livros dos mais intrigantes que li nos últimos tempo – todos ingleses (embora O’Neill esteja mais para um cidadão do mundo) e todos permeados pelos atentados terroristas característicos do mundo pós 11 de setembro. São dois livros que indico fortemente – o Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer e Incendiário, de Chris Cleave.

Trecho do livro:

"Acontecia de Roy, como Chuck, ser de Trinidad. “Callaloo”, observou Vinay, distraidamente, e Roy e Chuck começaram a dar risadinhas, deliciados. “Você conhece callaloo?”, disse Roy. Virando para mim, ele comentou, “Callaloo é a folha do taro. Você não acha taro fácil por aqui”.
“Que tal o mercado na Flatbush com a Church?”, disse Chuck. “Lá você encontra.”
“Bom, pode ser”, concedeu Roy. “Mas se você não consegue a verdura de verdade, dá pra fazer com espinafre. Você põe no leite de coco: grelha bem fino a polpa do coco e espreme até sair o sumo. Depois acrescenta um pimentão vermelho inteiro – só vai ficar picante se você esmagar -, tomilho, cebolinha, alho, cebola. Normalmente agente
usa para temperar o siri-azul; tem gente que põe no escabeche de rabo de porco.
Você põe pra cozinhar e pega um mexedor de coquetel e mexe até a folha sumir num
molho grosso, tipo um molho de tomate. Esse é o jeito que agente fazia antes; hoje todo mundo joga no liquidificador. Usa no peixe ensopado – no para-terra, no carite: mmm-hmm. Também fica bom com inhame, batata-doce. Pastelzinho no vapor.”
Nota: Callaloo é uma receita típica de Trinidad & Tobago, feita como descrito acima. Mas o que achei realmente interessante foi aprender que a palavra callaloo possui também, outros significados - ela serve para nomear uma grande tragédia e para descrever o caráter multi-cultural de um país. Ou seja, o callaloo serve como a grande metáfora do romance.

Receita de Callaloo aqui.

21 fevereiro, 2010

Novidades na estante

Ganhar presente é bom ... Mas ganhar presente escolhido a dedo é melhor ainda!




Coleção de cactus (presente dos filhotes)


Clássicos da Literatura Culinária. Os mais importantes livros da história da gastronomia, de Rudolf Trefzer (Editora Senac)



“Livros de culinária cumprem diferentes funções, de acordo com a época e o público a que se dirigem. Da Idade Média até o século XVIII, eles são considerados – como outros livros também – preciosidades, símbolos de status, cuidadosamente conservados.”



A Sopa de Kafka. Uma história completa da literatura mundial em 14 receitas, de Mark Crick (Editora Argumento)



“Dei um gole no meu whisky sour, apaguei meu cigarro na tábua de cortar e assisti um inseto tentando sair do ralo. Eu precisava duma mesa no Maxim’s, de cem pratas e de uma loira deslumbrante; só tinha uma perna de cordeiro e nenhuma idéia.”


Cook with Jamie. My guide to making you a better cook, de Jamie Oliver (Penguin Books)




“Dear possibly great cook!”




Escola de Chefs. Técnicas passo a passo para a culinária sem segredos, de Joanna Farrow (Editora Manole)


“Com um formato semelhante ao de uma cenoura, o cercefi pode ser preto (nesse caso é chamado de escorcioneira) ou branco. Fica delicioso em uma sopa cremosa com cebola, caldo, creme de leite e ervas, ou quando servido fatiado depois de ferver e saltear na manteiga.”

Terras baixas, de Joseph O’Neill (Editora Alfaguara)



“Meu propósito imediato era descobrir o que acontecera com os bulbos de narciso que eu e alguns outros voluntários do clube de críquete havíamos enterrado em novembro último junto a um trecho da sebe do parque”.

Presente delícia, da Adriana da Cacau Noir!! Lindo e gostoso! Obrigada!

Sabores: mix praliné, chocolate com pimenta, cardamomo, pêra, flor de sal e limão siciliano.

P.S. - As lindas jóias (presentes da mama) são da Junia Machado.

28 janeiro, 2010

Tempo de Amizade!!

Eu tenho uma amiga especial!!!
Sabe aquela amizade que só te dá alegria? Pois é... eu me sinto realmente especial quando estamos juntas. Nos conhecemos desde a graduação, mas nossas vidas continuam sempre entrelaçadas. A Jô (este é o nome dela) tem uma paixão – bolos e afins. Entende tudo do negócio. Se você quer o contato de alguém que faz bolos incríveis, liga para ela. Se você quer o contato de alguém que faz docinhos incríveis, liga para ela. Se você quer idéias sobre temas de festas, liga para ela. E por aí vai. Todo vez que estou pesquisando algo na rede e me deparo com este assunto, ligo para ela. Mas ontem vivi uma experiência realmente linda com a Jô – estava em sua casa, fazendo uma visita, quando chegou uma caixa pelo correio. Quando a Jô abriu a caixa e viu as lindas forminhas que encomendou para a festa da sua filha Helena (uma linda menina que completará 1 década semana que vem) chegando, ela realmente se emocionou e daí eu entendi tudo. Entendi que para a JÔ, BOLO É AMOR!!! É uma forma de dizer aos outros o quanto aquela pessoa é querida e importante para nós. E como a Jô é querida e importante para mim, resolvi dedicar este post a ela e à sua paixão.




Forma de bolo cupcake, na Williams-Sonoma.


Forma de bolo cookie cake, na Williams-Sonoma.

Detalhes dos deslumbrantes bolos da cake designer Carla Ikeda.
Vale a pena dar uma olhada no programa 6 do Almanaque das Festas Instantâneas, da Casa da Chris: truques para ser uma boleira de primeira!



Na verdade, a reação emocionada da Jô me trouxe a memória uma personagem literária muito especial – Angel Tungaraza, uma boleira original da Tanzânia, residente em Ruanda. Angel, tal qual a Jô, dialoga com o mundo através de seus bolos, encontrando nas mais delicadas situações um motivo de comemoração.




“... Depois de secar as mãos, ela foi até o quarto e pegou de uma prateleira, no
guarda-roupa, um saco de plástico branco, dentro do qual havia um pacote
envolvido em plástico bolha. De volta à cozinha, pôs o pacote no balcão e seus
dedos começaram a retirar as tiras de fita adesiva que o prendiam. Angel fez
isso bem lentamente, prolongando o prazer, criando expectativa. (...) Que
tesouros estariam lá dentro?! Sim, lá estavam as cores que ela havia pedido:
vermelho, rosa, amarelo, azul, verde, preto – tudo sob a forma de pó, nada
parecido com os vidros de anilina líquida comestível disponíveis nos
supermercados libaneses da cidade, aqueles não eram nem um pouco moderno.(...)
Eh, agora seus bolos seriam mais lindos que nunca!
Essa convicção a
emocionou e as lágrimas começaram a se acumular em seus olhos...”


Assando bolos em Kigali
Gaile Parkin
São Paulo: Globo, 2009.

P.S - Semana que vem posto as fotos da festa da Helena.

20 janeiro, 2010

Feliz novo ano novo!!!!

Há tempos que não posto nada, mas acho que este ano conseguirei dar novamente uma regularizada na vida ... E para começar o ano honrando este blog, segue uma lista das minhas últimas aquisições bibliográficas:

- COZINHA NATURAL GOURMET: A CULINARIA DE TATIANA CARDOSO E O RESTAURANTE MOINHO DE PEDRA.
São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2009.










Adorei este livro - além de bonito e cheio de receitas ótimas, ele vai bem ao encontro das minhas perspectivas culinárias - sabor & saúde sempre! Dona e chef do restaurante Moinho de Pedra, Tatiana, formada no Natural Cookery School em Nova York, acredita que a cozinha Natural Gormet representa a culinária do futuro, "porque ela une duas ideias - o sabor da gastronomia e a saúde do organismo - e ainda se compromete com a preservação do planeta".




- This Crazy Vegan Life (Kindle Edition)by Christina Pirello (Author)




Este eu comprei para inaugurar o meu kindle. E confesso que estou inteiramente encantada com meu novo brinquedo... mas brincadeiras à parte, estou me deliciando com as pequenas anotações da chef Cristina, principalmente aquelas dedicadas a derrubar os mitos persistentes que envolvem a vida dos vegetarianos.


- Bocuse em sua cozinha
São Paulo: Ediouro, 2009.







Um clássico da culinária, agora reeditado e contendo pequenas pérolas no prefácio. "Um pequeno conselho: evite, se você não for um ás do fogão, convidar mais do que oito a dez pessoas.(...) Evite também tratar seus convidados como cobaias, tentando com eles novas experiências culinárias. Limite-se a realizar os pratos que lhe são familiares, de modo que suas recepções sejam um sucesso, permitindo-lhe ficar à vontade e sorridente".


- Cozinha Italiana, 80 receitas ilustradas passo a passo.
São Paulo: Larousse do Brasil, 2009







Como todos sabem, não resito a um livro de receita italiana, minha grande paixão. Não à toa foi daqui que tirei a primeira receita do ano.


Crespelle com Espinafre e Ricota


Para a massa:


250 ml de leite
3 ovos
120 g de farinha de trigo
20 g de manteiga derretida
sal


Em um recipiente, coloque a farinha, faça uma depressão e junte os ovos, o sal e a manteiga derretida. Misture tudo com um fouet. Adicione o leite e continue batendo. Cuidado para que não formem grumos. Cubra com filme plástico e deixe descansar por 1 hora. Prepare os crepes em uma pequena frigideira, acrescentando um pouco de manteiga entre cada uma. Elas devem ficar bem finas.



Para o recheio:

600 g de espinafre fresco ou 300 do congelado
250 g de ricota e 120 g de mascarpone
80 g de parmesão ralado
1 alho e 50 g de manteiga
1 colher de sopa de azeite
pitadas de noz moscada
2 colheres de sopa de farinha de rosca
sal e pimenta do reino


Cozinhe o espinafre e escorra-o. Aqueça o azeite em uma frigideira, 30 g da manteiga e o alho cortado ao meio. Seque o espinafre em fogo médio, junte a noz moscada e tempere com sal e pimenta. Deixe esfriar e, em seguida, junte a ricota, o mascarpone, a farinha de rosca e 50 g do parmesão. Distribua um pouco do recheio sobre cada crepe e faça uma panqueca bem apertada. Corte em 4 partes. Unte um refratário com manteiga e deposite os pedaços de panqueca. Coloque o restante do parmesão e um pouco de manteiga. Gratine por 10 minutos.

OBS: Eu reguei com molho de tomate e manjericão roxo!



14 outubro, 2009



"Dois homens chegam com tinas de berinjela. Compridas, esguias, casca bem lisa e violeta, com folhas e talos intactos. Acho que dizem alguma coisa como se precisar mais, é só dizer, senão nós traremos mais amanhã. Berinjelas compridas, esguias, casca bem lisa, recém-colhidas, rapidamente lavadas na pia batismal. São então levadas à mesa de trabalho, em que, depois de secas, o talo é retirado. Deixando-as inteiras mas fazendo cortes profundos em sua superfície, as viúvas rolam as berinjelas em uma caixa contendo uma mistura de farinha, farelo de pãp, são marinho e queijo pecorino ralado. Rolam, dão umas batidinhas e rolam de novo, pressionando a mistura seca para dentro dos cortes mais mínimos. Depois deitam aqueles bichos estranhos sobre bandejas forradas de papel e as levam até os fogões, onde outras viúvas aguardam, para mergulhá-las em óleo fervente, poucas de cada vez. Deixam-na flutuar, sem mexer, até que o miolo fique bem macio e a casca, crocante e de um bronzeado escuro. Então as retiram com uma escumadeira e as recolocam nas bandejas forradas de papel, esfregando grandes cristais de sal marinho entre as mãos sobre elas, enquanto ainda estão bem quentes. As berinjelas são então levadas para o salão de refeições, onde ficarei sabendo, mais tarde, que são servidas quase frias e ainda crocantes, com um molho de tomate cru temperado com manjerona. E vou saber que não são servidas ainda quentes, direto da panela, para que, ao esfriarem, seus sabores se misturem e se intensifiquem. Saberei, também, que tenho uma alarmante capacidade para me empanturrar com elas."



Um certo verão na Sicília. Uma históris de amor

Marlena de Blasi

Editora Objetiva, 2009.

30 maio, 2009

Mar Profundo


Ontem, procurando um livro em minha bagunçada estante, me deparei com este exemplar - o romance Mar Profundo, de Romesh Gunesekera. Na ocasião de minha leitura, lembro-me de ter ficado encantada com ele, lembro-me, até, de ter escrito uma resenha um pouco mais elaborada, tentando falar um pouco da importância de ler esta geração de autores surgidos na esteira dos estudos pós-coloniais. Mas depois de uma rápida busca no meu computador, me dei conta de que ela havia, definitivamente, desaparecido. Mas não tem problema, deixo aqui pelo menos um pequeno registro sobre o livro. Na sua orelha lemos:



“ Mar Profundo (...) é uma exótica história de crescimento e perda que se passa no exuberante paraíso do Sri Lanka (então Ceilão), pequena ilha ao sul da Índia. O narrador é Triton, que, aos onze anos, passa a trabalhar na casa do senhor Salgado (...) aprende a cuidar da casa e a lustrar a prataria. Mas seu destino é mais sutil, e ele logo começa a assar pão, bolo de amor com castanhas-de-caju frescas; a preparar panquecas de arroz com curry de peixe, bolinhos os mais variados, camarões em suflê de rum e peixe-papagaio cozido no vapor com sambol de pimenta, além de um sem número de outras delícias. (...) Conforme Triton conta a sua história, uma extraordinária voz emerge: ingênuo e sábio, temeroso e bravo, um menino tornando-se homem em um mundo à beira do caos, às vésperas das guerras étnicas que assolaram a ilha a partir da década de 1980”.


Aí vai uma nota história sobre o Sri Lanka: Lembram-se dos famosos versos de Camões “As armas e os barões assinalados / Que, da Ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Traprobana,” ? Pois é, a Traprobana era o Sri Lanka, ilha povoada desde o século X pelos árabes. Em 1517, os Portugueses lá fundaram a cidade de Colombo, e a ocuparam até o final do século XVIII quando, os franceses tomaram e a batizaram de Ceylon. Alguns anos depois, em 1802, ela foi oficialmente cedida à Grã-Bretanha, e passou a ser uma colônia real. Só em 1948 é que o Sri Lanka conseguiu sua independência.

28 maio, 2009

Vocês sabiam que existem caçadores de frutas? Pois é, eu também não sabia, até ter em mãos o livro de Adam Leith Gollner, Caçadores de frutas: uma história de natureza, aventura, comércio e obsessão.

Mas confesso que sempre desconfiei que esta seria uma ótima ocupação para um de meus filhotes. Na verdade, preciso ser ainda mais sincera, tenho certeza que sua verdadeira vocação é esta. Desde pequeno ele demonstra um raro talento para isto. Seu livro preferido na primeira infância foi o maravilhoso O Ratinho, o Morango Vermelho Maduro e o Grande Urso Esfomeado, de Audrey Wood & Don Wood.




E até hoje um de seus passatempos favoritos é “caçar” frutas no Jardim Botânico. Ano passado, em sua escola, foi instituído o dia da fruta – toda sexta-feira ele tinha que levar uma fruta para compartilhar o lanche com os amigos. Quase enlouqueci – não podia nunca ser uma simples banana, ou uma boa maça, ou uma bonita pêra. Tinha que ser algo diferente – toda semana era a mesma história. Resultado, virou fã incondicional de marmelos e limões sicilianos, o qual saboreia como laranja. E finalmente ontem me fez comprar uma pitaia, ou fruta-dragão – fruta que acho realmente linda, mas que custa uma verdadeira fortuna. Para mais informações sobre a pitaia, clique aqui.


Aí vai uma receita tentadora:

Granita de Pitaia

450 de polpa de pitaia em cubinhos
80 g de açúcar
½ suco de 1 limão
150 g de água

Leve tudo ao fogo e deixe ferver. Desligue, espere esfriar e leve ao freezer. Ao longo do congelamento, quebre a misture com o auxílio de um garfo. (Fica com a textura de uma raspadinha).

Fonte: blog Gourmandise

21 maio, 2009

Ando investindo em novos hábitos alimentares, utilizando legumes e verduras que não costumo comer com tanta freqüência. E o resultado tem sido maravilhoso. São descobertas cheias de sabores e promessas de novas receitas. E o melhor de tudo, o meu filhote mais chatinho para comer, que costuma implicar um pouco com alimentos que não tem o hábito de ver na mesa, comeu tudinho, sem reclamar. Inacreditável!!


Os dois eleitos da semana foram os rabanetes e o repolho roxo.



Os rabanetes sempre me intrigaram um pouco – nunca entendi direito como alguém pôde arriscar tanto pelo simples desejo de comer rabanetes. É claro que todos devem se lembrar da história da Rapunzel, pois é. Mas o mais inusitado foi descobrir que existem rabanófagos, ou seja, uma espécie de comedores compulsivos de rabanetes. Gil Vicente, um dramaturgo português do século XVI, fala “dessa gente sustentada a rabanetes”, e por aí vai...
O fato é que aqui em casa, agora, somos uma família rabanófaga.

Receita: Corte os rabanetes em quatro partes. Cozinhe-os em uma frigideira com um pingo d'água, sal, pimenta, 1 pedaçinho de manteiga e 1 colher de sopa de açúcar. Deixe a água evaporar - o que irá torná-los levemente caramelizados.


Quanto ao repolho roxo, a novidade ficou por conta do modo de preparo, pois costumo fazer saladas com ele. E desta vez o preparei na panela ...

Receita:
1 kg de repolho roxo
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de cebola picadinha
1/2 xícara de passas brancas sem sementes
2 colheres de sopa de açucar
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
1 1/2 colher de chá de sal
Refogue as cebolas no azeite. Acrescente o repolho cortado fininho, e o restante dos ingredientes. Tampe a frigideira, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 15 minutos.

Aí vão algumas dicas literárias sobre o assunto:
Rabiscos e Rabanetes, de Sylvia Orthof
O Grande Rabanete, de Tatiana Belinky
Este não é rabanete, mas vale a pena dar uma olhada:

O Nabo Gigante, de Alexis Tolstoi

Editora Girafinha

20 maio, 2009

Ponto para Júlia!


"(...) Ora, desde que o enfarruscador ofício de temperar panelas se enfeitou com o nome de arte culinária, temos uma certa obrigação de cortesia para com ele. E concordemos que é uma arte pródiga e fértil. Cada dia surge um pratinho novo com mil composições extravagantes, que espantam as menagères pobres e deleitam os cozinheiros da raça! Dão-se nomes literários, designações delicadas, procuradas com esforço, para condizer com a raridade do acepipe. Os temperos banais, das velhas cozinhas burguesas, vão-se perdendo na sombra dos tempos. Falar em alhos, salsa, vinagre, cebola verde, hortelã ou coentro, arrepia a cabeluda epiderme dos mestres dos fogões atuais. Agora em todas as despensas devem brilhar rótulos estrangeiros de conservas assassinas, e alcaparras, trutas, manteiga dinamarquesa (o toucinho passou a ser ignominioso), vinho Madeira para adubo do filé, enfim tudo o que houver de mais apurado, cheiroso e... caro!
As exigências crescem, ameaçam-nos e, sem paradoxo, somos comidos pelo que comemos. Isto vem à propósito de uma exposição de arte culinária que se fez, há pouco tempo, em Paris. Imaginem como aquilo deve ser encantador e apetitoso! Quem já viu as vitrines das charcuteries, das crémeries, das confeitarias, etc., e que sabe com quanto mimo e elegância são expostos os queijos, os paios e os pastéis, entre bouquets de lilases e fofos caixões de papéis de seda bem combinados, crespos e leves como plumas, imagina que de novidades graciosas se juntarão no Palácio da Indústria. Naturalmente, cada expositor é um arquiteto e um artista na combinação das cores. Fazem-se castelos de biscoitos, torres engenhosas de chocolate, de creme, de morangos, onde tremulem, em cristalizações policromas, as gelatinas de frutas ou de aves, refletindo luzes entre lacinhos de fita e flores frescas, porque o francês tem a preocupação gentilíssima de deleitar sempre os olhos alheios. Abençoada mania!
O que eu invejo não são as trutas, nem os champignons, nem o seu foie-gras, porque tudo isso temos nós aqui e mais muitas coisas que eles lá desconhecem. O que eu invejo é aquela facilidade, aquela graça das exposições que se sucedem e se multiplicam e que não podem deixar de ser úteis, porque abrem a curiosidade e ensinam muito.A cozinha francesa tem-se intrometido em toda a parte. A Inglaterra opõe-lhe forte resistência com as suas batatas cozidas e presunto cru; mas a nossa, por exemplo, está muito modificada por ela. Entretanto, temos pratos característicos, só nossos e que eu teimo em achar gostosos. Infelizmente falta-lhes o chique, o lado onde se possa atar a tal fitinha ou colocar o buquê de violetas do inverno ou do muquet da primavera.
O feijão preto com o respectivo e lutuoso acompanhamento não se presta por certo para a coquetterie de um adorno mimoso, mas nem por isso deixa de ser da primeira linha. Depois temos os pratos baianos, o afamado vatapá e outros, quentes e lúbricos, e o churrasco do Rio Grande, e o cuscuz de São Paulo, e tantos que eu ignoro e que descobrem, demonstram, por assim dizer, as tendências, o temperamento do povo.
Um país como o Brasil tão vasto e variado não teria proporções mais curiosas para realizar uma exposição neste gênero? Só de frutas, que, tratando-se da mesa, tem todo o lugar, e de doces... imaginem: faríamos um figurão! geralmente caluniam-se as frutas brasileiras e parece-me tempo de lhes irmos dando a merecida importância. Não há nenhum brasileiro que conheça todas as frutas do seu país. O europeu desdenha-nos nesse sentido; esquece-se de que em muitos lugares do Paraná, Minas e Rio Grande, desenvolvem-se peras magníficas, damascos, cerejas, nozes, etc. E as frutas e as hortaliças indígenas? Inumeráveis!
O que falta à nossa gourmandise é poder agrupá-las, poder escolher, na mesma terra, estas ou aquelas, e isso só se poderá fazer se houver aqui, algum dia, como agora em Paris, quem dê importância à mesa, e procure, por meio de exposições, facilitar esse ramo de comércio, educar o povo, e dar-lhe um elemento novo de prazer e de saúde.


"A Arte Culinária", de Júlia Lopes de Almeida. Livro das donas e donzelas, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1906.

17 maio, 2009

Novidades Literárias

Novo lançamento: Banquetes Intermináveis. Os melhores textos da revista Gourmet. Editora, DBA.





Esta delícia de livro, devemos ao talento de Ruth Reichl e ao seu esforço em aliar, de forma definitava, as belas letras ao bom garfo. Os 40 textos selecionados por ela, ao longo dos sessenta anos de existência da Revista Gourmet, são todos pequenas (e grandes)pérolas - garantia de boa leitura e de muita inspiração. E para completar o presente, vem com uma apresentação da querida Nina Horta. Ou seja, tudo de bom!!!!
Para saborear:
"Madame era famosa pela truta, pelas pernas de rã e pelo camarão-de-água-doce. Já provei todas eles muitas vezes. Alguns rigoristas da etiquêtica gastronômica criticam o que ela denominava truites meunières porque o peixe estava sempre retorcido como truites au bleu. De certa feita, perguntei a Berthe a razão disso. Ela deu de ombros: "E daí? Truta morta há menos de um minuto fica se retorcendo em agonia na manteiga quente. Dá para achatá-la, é verdade. Mas mamãe prefere deixá-la tão confortável quanto possível". Não havia mais nada do que pudesse dizer."
M.F.K.Fisher, "Três estalagens suiças".