20 março, 2013
A incrível fuga da cebola
21 setembro, 2010
Dia da árvore

Leitura obrigatória - A Árvore Generosa, de Shel Siverstein
18 setembro, 2010
Memórias de açúcar

"Numa tarde, diante do prato raspado da sobremesa, perguntei à minha imagem polida feito espelho de onde é que vinham os doces, e se suas histórias tinham começo, meio e fim. Pega de surpresa, minha cara lambuzada do outro lado nem piscou. Eu tinha acabado de devorar os personagens principais."

20 agosto, 2010
Leitura para o fim de semana

Ameixas ao Armagnac
½ kg de ameixas sem caroço
Água para cobrir
½ xícara de açúcar
Armagnac ou brandy
Ferva numa panela água suficiente para cobrir as ameixas. Adicione-as e imediatamente apague o fogo. Deixe que descansem por 10 minutos naquela água, o suficiente para que inchem (se reidratem). Escorra, reservando o líquido, e guarde as ameixas num saco ziploc para esfriarem.
Faça uma calda simples e leve, fervendo o açúcar com a água que ficou reservada. Coloque as ameixas numa jarra e acrescente a calda até ocupar metade do espaço acima das frutas. Complete com Armagnac ou Brandy. As ameixas podem ficar guardadas assim por meses, ou até anos. Use quando necessário.
23 março, 2010
Callaloo
A outra coincidência interessante foi conectar este a mais dois livros dos mais intrigantes que li nos últimos tempo – todos ingleses (embora O’Neill esteja mais para um cidadão do mundo) e todos permeados pelos atentados terroristas característicos do mundo pós 11 de setembro. São dois livros que indico fortemente – o Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer e Incendiário, de Chris Cleave.
Trecho do livro:
"Acontecia de Roy, como Chuck, ser de Trinidad. “Callaloo”, observou Vinay, distraidamente, e Roy e Chuck começaram a dar risadinhas, deliciados. “Você conhece callaloo?”, disse Roy. Virando para mim, ele comentou, “Callaloo é a folha do taro. Você não acha taro fácil por aqui”.
“Que tal o mercado na Flatbush com a Church?”, disse Chuck. “Lá você encontra.”
“Bom, pode ser”, concedeu Roy. “Mas se você não consegue a verdura de verdade, dá pra fazer com espinafre. Você põe no leite de coco: grelha bem fino a polpa do coco e espreme até sair o sumo. Depois acrescenta um pimentão vermelho inteiro – só vai ficar picante se você esmagar -, tomilho, cebolinha, alho, cebola. Normalmente agente
usa para temperar o siri-azul; tem gente que põe no escabeche de rabo de porco.
Você põe pra cozinhar e pega um mexedor de coquetel e mexe até a folha sumir num
molho grosso, tipo um molho de tomate. Esse é o jeito que agente fazia antes; hoje todo mundo joga no liquidificador. Usa no peixe ensopado – no para-terra, no carite: mmm-hmm. Também fica bom com inhame, batata-doce. Pastelzinho no vapor.”
30 maio, 2009
Mar Profundo

“ Mar Profundo (...) é uma exótica história de crescimento e perda que se passa no exuberante paraíso do Sri Lanka (então Ceilão), pequena ilha ao sul da Índia. O narrador é Triton, que, aos onze anos, passa a trabalhar na casa do senhor Salgado (...) aprende a cuidar da casa e a lustrar a prataria. Mas seu destino é mais sutil, e ele logo começa a assar pão, bolo de amor com castanhas-de-caju frescas; a preparar panquecas de arroz com curry de peixe, bolinhos os mais variados, camarões em suflê de rum e peixe-papagaio cozido no vapor com sambol de pimenta, além de um sem número de outras delícias. (...) Conforme Triton conta a sua história, uma extraordinária voz emerge: ingênuo e sábio, temeroso e bravo, um menino tornando-se homem em um mundo à beira do caos, às vésperas das guerras étnicas que assolaram a ilha a partir da década de 1980”.
Aí vai uma nota história sobre o Sri Lanka: Lembram-se dos famosos versos de Camões “As armas e os barões assinalados / Que, da Ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Traprobana,” ? Pois é, a Traprobana era o Sri Lanka, ilha povoada desde o século X pelos árabes. Em 1517, os Portugueses lá fundaram a cidade de Colombo, e a ocuparam até o final do século XVIII quando, os franceses tomaram e a batizaram de Ceylon. Alguns anos depois, em 1802, ela foi oficialmente cedida à Grã-Bretanha, e passou a ser uma colônia real. Só em 1948 é que o Sri Lanka conseguiu sua independência.
12 abril, 2008
Porca Memória

"Na minha primeira incursão pela geografia portuguesa vivi praticamente de uma caridade solidária da qual nunca me esquecerei: em qualquer lugar em que falasse o mágico "tenho fome", uma festa era imediatamente organizada.Aquela comida simples me encantava, fosse carne ou peixe, servida com legumes quase sempre inteiros, apenas fervidos e regados com azeite saboroso: couves, cenouras, tomates, berinjelas, e batatas e mais batatas. (...) Depois de tudo que vi e vivi em Portugal, depois de tudo o que prendi com as pessoas e com suas mesas, quando algum babaca volta do feriado prolongado da Semana Santa ou do fim de ano, sem se dar conta de que cada lugar, vila ou bairro de Portugal sabe fazer uma sopa diferente e gostosa, quase sempre batizada com o nome de Nossa Senhora ou do santo de devoção local, e diz que em Portugal se come muito mal, me dá vontade de soltar o tourinho, esse que, como se diz, todo basco leva escondido nas entranhas. E dar-lhes, naquele lugar merecido, um bom par de chifradas".
29 novembro, 2007
Como transformar quilos de manteiga em algo leve...


Julia Child, autora de Mastering The Art Of French Cooking – um clássico da culinária norte-americana!
18 outubro, 2007
Em louvor da sombra, por Biagio D'Angelo

[1] Soseki Natsume (1867-1916) é um romancista japonês cujas obras foram fundadoras da literatura japonesa moderna. Seu livro Eu sou um gato é publicado em português pela Editora Estação Liberdade. (Nota de autoria de Biagio D'Angelo)
[2] Pasta de soja fermentada, muito utilizada na culinária japonesa. (Nota de autoria de Biagio D'Angelo)
[3] Tigela laqueada. (Nota de autoria de Biagio D'Angelo)
[1] Cidade da Prefeitura de Nara, famosa pelos templos e as cerejeras em flor.
15 julho, 2007
"Em última análise, vale a pena recordar que o bom pão depende sobretudo da
qualidade dos homens e mulheres que o produzem"
Steven L. Kaplan

16 abril, 2007
No tempo das vacas magras

31 março, 2007
Cozinha da Amizade
“Os bons livros de receitas podem nos apresentar a cozinhas exóticas,
transportar-nos para o romântico Oriente (ou a Escandinávia ou a América Latina)
sem que precisemos pôr um pé fora de casa, mas os livros de receita que tocam o
coração com mais força são aqueles que nos fazem retroceder no tempo: à cozinha
da mamãe e às lembranças infantis ou à uma época antiga e mais
esplendorosa.(...) É um passado que podemos imaginar e recriar com os odores da
cozinha e recuperar simbolicamente apenas pelo ato de comer”.
Ao longo da resenha, o autor recupera algumas das influências de Elizabeth ao mesmo tempo que vai nos apresentando algumas referências-chave para se pensar a culinária – entendida aqui como a longa história que envolve, para além das técnicas de transformação do alimento, as relações sociais que perpassam o ato de comer. É quando surge a figura de Edouard de Pomiane, pesquisador do Institut Pasteur em Paris que, segundo o autor, praticava uma cozinha da amizade. E é esta imagem-síntese que me inspirou a escrever este post e dedicá-lo a todos os leitores deste blog, na certeza de que a prática diária da escrita bloguística tem como contrapartida a construção de uma rede emotiva tão cara a todos nós, homens que somos de nosso tempo histórico, tempo este que parece desfiar intensamente os tais laços de solidariedade tão fundamentais para a conformação da sociedade. Me sinto realmente amiga de todos que freqüentam o blog e de todos os autores dos blogs que leio – é como se praticássemos uma cozinha da amizade, tal qual a preconizada por Pomiane.
São suas as palavras:
Existem três tipos de jantares: os jantares de negócios, os oferecidos em
retribuição a convites e os jantares de amigos. (...) Suas receitas estão cheias
do desejo de agradar os amigos, não de impressioná-los ou deslumbrá-los.
Faço dele as minhas palavras - a nossa cozinha da amizade é assim!
17 março, 2007
Presentes
Estou encantada com a leitura do livro de Psyche A.Williams-Forson ( Building Houses...). Segundo a autora, as mulheres negras americanas desenvolveram uma espécie de identidade coletiva que passa pela relação que elas mantêm com algumas comidas, em especial com as galinhas. É através da preparação e distribuição deste que é para elas uma espécie de prato abençoado (“gospel bird”), que as mulheres negras criaram e partilharam uma espécie de consciência da negritude. Mas é no desenvolvimento de seus argumentos que a autora vai nos apresentar uma material riquíssimo para se pensar o papel central da alimentação na cultura de uma sociedade. É em torno do tripé literatura afro-americana, narrativas orais e livros de receitas, que a autora constrói sua argumentação. E neste percurso nos vai apresentando verdadeiros ensinamentos de como podemos trabalhar esta questão. É dela esta frase lapidar: “Cookbooks represent cultural sites where food and memory intersect”. Bom, assim que avançar na leitura, escrevo um pouco mais sobre ele.
Já o livro de cupcakes é todo delicioso – e para este final de semana escolhi esta receita:
Pistachio Rosewater Cupcakes
½ xícara de iogurte de soja, sabor baunilha
2/3 de xícara de leite de soja ou de arroz
1/3 xícara de óleo de canola
¾ de xícara mais 2 colheres de sopa de açúcar granulado
De 1 a 2 colheres de sopa de água de rosas
1 xícara mais 2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 colheres de sopa de maisena
½ colher de chá de fermento em pó
½ colher de chá de bicarbonato de sódio
¼ de colher de chá de sal
1 pitada generosa de cardamomo
1/3 de xícara de pistaches picados (se quiserem, levemente torrados)
Rosewater Glaze
Pistaches picados, para guarnição (mais ou menos ½ xícara)
1 colher de sopa açúcar cristal cor de rosa (opcional)
Modo de Fazer
Pré-aqueça o forno. Unte 12 forminhas de muffins.
Num bowl, misture o iogurte, o leite, o óleo, o açúcar e a água de rosas. Em outro recipiente, misture a farinha, a maisena, os fermento, o bicarbonato, o cardamomo e o sal. Junte as duas misturas. Deposite nas forminhas e leve para assar por mais ou menos 20 minutos. Retire-os do forno e deixe esfriar completamente antes de confeitá-los.
Para glacê:
1 ¼ de açúcar de confeiteiro
1 colher de sopa de margarina
2 a 3 colheres de chá de leite de soja
½ colher de chá de água de rosas
Com o auxílio de um garfo, misture a metade do açúcar com a margarina até formar uma espécie de farofinha. Adicione o leite e a água, e bata juntando o restante do açúcar. Misture tudo até atingir a consistência desejada. Decore os muffins com este creme, salpique com os pistaches quebradinhos e o açúcar cor-de-rosa.
Lembram muffins de contos-de-fada!
Atenção: para quem não curte soja, pode-se substituí-la por leite comum.
21 novembro, 2006
Amanhã, numa boa

Acaba de sair uma resenha minha do livro Amanhã, numa boa na edição de novembro da Revista virtual Dobras de leitura. Quem quiser pode acessá-la por aqui.
12 setembro, 2006
Conselhos a um jovem Chef

Estou lendo um lindo livro do grande chef Daniel Boulud, intitulado Conselhos a um jovem Chef, editado pela Anhembi Morumbi Editora.
O livro, escrito em forma de cartas, procura dar conta da árdua e encantadora carreira de chef. Nos fala dos principais atributos da profissão, das dificuldades e das maravilhas desta arte culinária. Tudo de forma bastante simples e tocante. Entremeadas de, não diria receitas mas sim indícios de receitas, a leitura das cartas nos abre o apetite e nos convida a pensar naquilo que comemos. São 14 cartas que procuram dar conta deste amplo universo chamado gastronomia e que se dividem da seguinte forma, Os mestres, O seu sentido do paladar, Ingredientes, e por aí vai. Alguns de seus pensamentos são verdadeiras pérolas. São frases que nos fazem ficar pensando dias e dias na mágica da culinária. Aí vai uma delas:
“Quando se é chef, o desejo é honrar seu passado transformando-o em memórias gastronômicas que possam ser servidas num grande restaurante”.



