29 setembro, 2006

Convite

Confesso que fiquei bastante orgulhosa de ter sido convidada a responder esta “corrente”. Vamos lá, tentarei me descrever em seis tópicos:

- Amo culinária italiana e tenho bastante orgulho de ter sangue siciliano nas veias. Nada no mundo me apetece mais do que um prato de spaghetti al sugo – com uma ou mais fatias de pão italiano e lascas do verdadeiro parmeggiano reggiano.

- Como puderam perceber sou altamente gulosa – o que me leva evidentemente a ter problemas com a balança. Eternamente... Mas a boa notícia é que acabo de perder 21 kilos e estou me sentindo ótima.

- Amo fazer origami, ler e cozinhar. Na verdade, poderia passar a vida inteira a me dividir entre estas coisas.

- A coisa que mais gosto no mundo é ficar em casa com meus filhos e não troco nada no mundo por isso. Na verdade, sempre tive uma tendência a ser caseira. Com o nascimento das crianças isso intensificou-se e luto diariamente contra a vontade de ficar em casa com eles. Afinal de contas adoro também o meu trabalho.

- Tenho um “lado b” exacerbado – o que me faz adorar seriados americanos, romances policiais e, de vez em quando, comer fast food em frente a TV. Adoro pipoca e amo sorvete.

- Adoraria ser mais zen e um pouco menos exagerada ... mas não consigo.

Erros e acertos

A aula de ontem correu com erros e acertos, e principalmente com muitos aprendizados, que é assim que se aprende ... cozinhando e errando. Começamos com uma salada de beterrabas e rúcula do Jamie Olivier. Esta estava ótima. O prato principal foi uma receita do Claude Troisgois Filete de cherne, banana caramelizada e manteiga noisette de corintos. Também estava ótimo, apesar da minha dificuldade em fazer pratos de peixe – sempre acho que o peixe deve ser temperado com um pouco de limão, apesar de saber que isto altera seu sabor. Mas ... prefiro assim. E, finalmente, a sobremesa que não deu certo – esta também do Jamie – espetinhos de morangos caramelados com creme de mascarpone. Como não deu certo o espetinho, fiz uma calda quente com os morangos, para acompanhar o creme. Já o creme, por sua vez, não ficou muito bom – acho que apenas uma questão de proporções, limoncello demais. O creme ficou tão forte que não dava para comer.

Salada de Rúcula com Beterrabas



Folhas de rúculas
Beterrabas em cubos grandes, cozidas na água e sal
Creme fresco
Vinagre de vinho tinto
Sal e pimenta
Bresaola
Lascas de parmeggiano reggiano
Azeite extra virgem

Após o cozimento das beterrabas, depositá-las num bowl e temperá-las ainda quente. Regue com o creme fresco, o vinagre e tempere com sal e pimenta. Esta mistura será colocada delicadamente sobre o leito de rúculas. Espalhe as fatias de bresaola sobre a salada, salpique com o parmesão e regue generosamente com o azeite. Delícia!

Filete de cherne, banana caramelizada e manteiga noisette de corintos



4 filés de cherne
sal e pimenta
4 bananas cortadas longitudinalmente
manteiga
azeite
Frite as banas delicadamente na manteiga. Reserve. Tempere o peixe com sal e pimenta e frite-o no azeite.

Molho

200 gr de manteiga
1 limão
1 c s de shoyu
120 gr de passas
½ cebola picadinha
1 alho picadinho
1 c de café de colorau
coentros
sal e pimenta.

Numa panela derreta a manteiga até esta ficar bem marrom. Junte as cebolas e o alho, deixe refogar por dois minutos. Adicione o limão, as passas, o shoyu, o colorau e a pimenta. Junte os coentros e desligue o fogo.

Sirva as bananas no meio do prato, regue com o molho de manteiga e disponha o cherne por cima.
Ficou muito bom e a manteiga ficaria perfeita com rosbife, por exemplo.

Creme de Mascarpone




Misture 1 pote de mascarpone (500 gr) com ½ xícara de açúcar e 1 taça de limoncello (eu poria apenas duas colheres de sopa). Misture tudo muito bem e acrescente raspas de limão e alecrim picadinho. Leve para gelar.
Faça a calda com os morangos fatiados, açúcar e uma pontinha de manteiga. Sirva quente sobre o creme gelado.

20 setembro, 2006

Receita nova

A aula de ontem foi ótima ! E isso porque tivemos uma agradável surpresa com uma receita nova – uma tarte tatin de tomate. Isso mesmo, uma receita que descobri por acaso numa simpática revista portuguesa chamada Blue Cooking. Para acompanhá-la uma deliciosa receita do Celeiro – Conchigliette ao pesto de rúcula. Jantar delicioso.

Conchigliette ao pesto de rúcula

Para o pesto

No liquidificador:

100g de rúcula
¼ x de água
1 c s de azeite
1 c s de vinagre de vinho tinto

Num bowl, misture este creme de rúcula com:

2 c s de queijo ralado
¼ de xícara de maionese
1 c c de sal

Para a salada:

250 g de conchigliette cozido e resfriado
150 g de tomates secos cortado em Juliana
1 caixa de muzzarela de búfala em cubinhos
o pesto
algumas folhas de rúcula inteiras
1 punhado de nozes pecan assadas e picadas grosseiramente


Tarte tatin de tomates



Numa frigideira que possa ir também ao forno, prepare um caramelo com 1 c s de manteiga e 2 c s de açúcar. Quando pronto, acrescente 1 cálice de vinagre balsâmico. Desligue o fogo. Sobre este preparado, deposite rodelas de tomates sem semente, formando uma espécie de leito, preenchendo toda a extensão da frigideira. Salpique sal, pimenta do reino e orégano o quanto baste. Cubra-os com massa folheada, fechando bem as laterais. Leve ao forno até assar. Desenforme e sirva.
Fica excelente com mostarda dijon.

18 setembro, 2006

Sonho de biblioteca ou biblioteca dos sonhos?


"Como suas irmãs de madeira e papel, nem todas as bibliotecas são feitas apenas de livros. (...) Pinóquio, no capítulo XIX do romance de Collodi, tenta imaginar o que faria se tivesse cem belas moedas e fosse um cavaleiro rico, e então deseja ter um palácio com uma biblioteca "repleta de confeitos, bolos, panetones, biscoitos de amêndoa e sonhos rechedaos de creme".

Alberto Manguel, A Biblioteca à noite, Cia das Letras, 2006.

12 setembro, 2006

Ilustrações

Todos sabem da minha paixão por livros infantis. Não apenas as histórias me comovem mas, sobretudo, as ilustrações. Quando são ilustrações de culinária ... Essas eu descolei numa pesquisa de sobre vintage cookbook.












Volta às aulas

Ontem retomamos nossas aulas de culinária. Foi ótimo. Escolhemos duas receitas do primeiro livro de receitas do Celeiro. A de Quiche, seguimos rigorosamente a receita e a da salada apenas substituímos as tâmaras secas da receita original, por uma mistura de damascos e passas. Para quem não conhece este livro, eu o considero um achado, um daqueles livros que definitivamente são feitos para ensinar a receita como ela realmente é. E nada mais gostoso do que fazer um prato que você sabe que vai dar certo e que o gosto é o mesmo de quando comemos do restaurante. Vale a pena o investimento. Como ainda estou em recuperação e fico rapidamente cansada, resolvemos não fazer a sobremesa. Mas... como já tinha feito um gostoso e rápido bolo de chocolate à tarde, vou postar a receita dele também.

Quiche de Queijo Minas

Massa

2 xícaras de farinha de trigo
150 gramas de manteiga gelada cortada em cubinhos
1 cc de sal
2 a 4 colheres de sopa de água gelada

Misture a farinha com o sal. Acrescente a manteiga em cubinhos e, com o auxílio de um garfo, a transforme numa farofa grossa. Junte aos poucos a água, apenas para dar liga a massa. Forme uma bola, embale em plástico e deixe descansar na geladeira por uma hora.

Recheio

40 gramas de queijo parmesão ralado + 1 ½ cc de páprica picante
1 ½ xícara de queijo minas meia cura ralado
3 ovos
¾ de xícara de creme de leite fresco
¾ de xícara de iogurte natural

Numa tigela misture muito bem os ovos inteiros, o creme e o iogurte. Acrescente o queijo ralado com a páprica.


Modo de fazer

Abra a massa diretamente na forma, faça furinhos em toda a sua extensão. Deposite o queijo minas ralado e despeje por cima a mistura de ovos com creme. Leve para assar por uns 40 minutos.



Salada de trigo com damasco

1 xícara de trigo para quibe
água fervente para hidratar

½ xícara de slasinha picada
½ xícara de coentro picado
½ xícara de cebolinha picada
1 xícara de queijo minas meia cura picado em cubinhos
1 xícara de damascos secos picados e escaldados
½ xícara de passas escuras escaldadas


Para o molho

3 colheres de sopa de iogurte natural
1 colher de sopa de mel
¾ de xícara de azeite
½ cc de sal
¼ de noz moscada ralada
Misture tudo muito bem e acrescente:

2 maças cortadas em cubinhos juntamente com meia xícara de suco de limão.

Junte tudo e sirva.
Fica simplesmente deliciosa.

Bolo de Chocolate de liquidificador

1 xícara de leite morno
3 ovos
4 colheres de sopa de margarina derretida
2 xícara de açúcar
1 xícara de chocolate em pó
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó.

Liquidificador e forno.

Para a Calda:

1 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de maisena
3 colheres de sopa de chocolate em pó
1 xícara de água
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de margarina
1 colher de chá de essência de baunilha

Misture tudo numa panela e leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Espalhe sobre o bolo já assado.


Estou tentando, sem sucesso, postar as imagens da aula ... enquanto não consigo tentem imaginá-las.

Bom apetite.

Conselhos a um jovem Chef


Estou lendo um lindo livro do grande chef Daniel Boulud, intitulado Conselhos a um jovem Chef, editado pela Anhembi Morumbi Editora.
O livro, escrito em forma de cartas, procura dar conta da árdua e encantadora carreira de chef. Nos fala dos principais atributos da profissão, das dificuldades e das maravilhas desta arte culinária. Tudo de forma bastante simples e tocante. Entremeadas de, não diria receitas mas sim indícios de receitas, a leitura das cartas nos abre o apetite e nos convida a pensar naquilo que comemos. São 14 cartas que procuram dar conta deste amplo universo chamado gastronomia e que se dividem da seguinte forma, Os mestres, O seu sentido do paladar, Ingredientes, e por aí vai. Alguns de seus pensamentos são verdadeiras pérolas. São frases que nos fazem ficar pensando dias e dias na mágica da culinária. Aí vai uma delas:

“Quando se é chef, o desejo é honrar seu passado transformando-o em memórias gastronômicas que possam ser servidas num grande restaurante”.

03 setembro, 2006

Encontro com Flô


Acabei de ler um livro muitíssimo especial – Encontro com Flô. Antes de falar dele, quero contar um pouco do meu encontro com este livro – já que ele tem também uma história. Quinta-feira passada, numa espécie de ato heróico, levei meus filhotes ao salão do livro infanto-juvenil do MAM. Digo heróico porque quinta não era, nem de longe, um bom dia para isto, pois eles entram na escola às 13 horas e só consegui chegar ao MAM às 11h30min, toda carregada de mochilas e lancheiras. Acontece que aquele seria o únicoo dia viável de levá-los ao salão, pois logo depois seria submetida a uma cirurgia que me deixaria fora de combate por, no mínimo, duas semanas. E quem me conhece sabe da importância que tem na minha vida esta relação especial com os livros, e o quanto ela já faz parte também da vida de meus filhos. Lá fomos nós e, como imaginava, amamos nosso programa. Após percorrermos todo o salão e as crianças escolherem seus livros, foi a minha vez, e resolvi que gostaria de me presentear com algum livro de uma nova editora de livros infanto-juvenis que tem feito bastante minha cabeça ultimamente – a Barco a Vapor. Claro que estava certa de que lá encontraria alguns tesouros novos para minha biblioteca – só não sabia que encontraria o livro que seria de vital importância para a recuperação da minha cirurgia – e quem já passou por alguma sabe que esta recuperação é tanto física quanto emocional. Eis que entra a hora de falar do lindo livro da Argentina Laura Escudero. Um livro lindo que fala de amor, de família, da importância das memórias, passoais e lidas. É uma linda releitura dos romances epistolares tão em voga nos séculos passados, que davam conta de verdadeiras sagas familiares a partir de escritos íntimos. O encontro entre mulheres de uma mesma família e a descoberta de suas raízes – no caso, entre neta e avó. Não bastasse esta linda história costurando o enredo do livro, algumas passagens foram verdadeiras prêmios para mim, uma vez que reforçaram algumas das principais questões que venho trabalhando internamente e que dizem respeito a minha vida pessoal. Vou citar apenas duas delas – uma linda passagem aonde a avó recorda a importância de um determinado livro teve em sua vida de menina As Aventuras de Huckleberry Finn–e de como as histórias lidas confundem-se com a vida vivida.
“...(...) Como deve imaginar, desde esse dia, todas as tardes nos reunimos para ler. Shimu se entusiasmou muito com Huckleberry, mas não o suficiente para ler sozinho. Já vamos para o capítulo VII e estamos pensando em fazer uma jangada. Na próxima carta conto o que aconteceu.
Meus mais sinceros carinhos,
A senhorita Flô”

E na última carta do livro, quando a avó recorda de um ritual que viveu, envolvendo o preparo de comidas.

“...(...)Batizei estes dias como os “mais maravilhoso”. (...) A senhora Tompsi e vovó começaram a me contar que durante aquele dia praparariam doce para o ano todo, enquanto os homens fariam lingüiças para conservar em barris de gordura.
Claro que me convidaram para participar das tarefas. Vesti um avental e tomei os devidos cuidados para não me queimar. (...) Depois me juntei a Carmela, uma das filhas deles. Enquanto transportávamos cestas, ela me contou que no dia anterior tinha lavado os marmelos, tirado a penugem cuidadosamente e o cabo. Também tinha tirado as sementes, que foram guardadas, mas em recipientes separados. Então me mostrou estranhos anéis de barro feitos no chão. “É ali que iremos cozinhá-los”, disse. (...) Até aquele momento havíamos trabalhado incansavelmente e sem perceber. Só tínhamos parado para comer ou para receber algum mate, que circulava ininterruptamente de mão em mão (perdão, certamente esta não é uma infusão refinada). (...) Quando terminamos, colocamos a mesa para jantar naquele mesmo lugar a céu aberto. Comemos, conversamos e depois... dançamos!, com a música de uma vitrola, colocada no meio de uma varanda.
Todos dançaram: crianças, adultos e velhos. Uns com os outros, sem diferenças. E foi uma grande festa. A melhor que já vi. E ninguém se arrumou, nem se perfumou especialmente para isso. Foi, como me tinham dito, uma celebração do trabalho. Este, irmã, é o espírito do lugar. O que tanto mê fascina. (...)”

É isso, a vida é uma eterna celebração, não só do trabalho, mas do amor, da união que faz a força. Alimentar as pessoas é amor em estado bruto. E é isso que eu quero para a minha vida.

Obrigada, Laura!
Obrigada mãe, pai, irmãos, marido, filhos, amo vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E quando eu ficar boa farei um banquete.
Para celebrar a vida!!!

22 agosto, 2006

Podemos comer arte?


Sei que tenho postado muito pouco. O que não significa que tenho pensado pouco sobre a culinária nos dias de hoje. Este boom gastronômico que estamos presenciando nos dias de hoje levanta algumas questões teóticas bem relevantes. Efetivamente não sei se estou no melhor caminho de reflexão sobre o fenômeno, mas resolvi experimentá-los ... Aí vai uma pequena amostra.

Uma das grandes contribuições dos estudos culturais, já sabemos, foi rasurar de vez as chamadas fronteiras entre as chamas alta e baixa culturas. Como conseqüência, dessacralizamos o conceito de arte, ampliando, ou melhor, multiplicando ao infinito, seus entendimentos. Se hoje já não podemos pensar numa arte pura, muito devemos ao movimento da pop arte, provavelmente o último movimento ecos dos movimentos de vanguarda da arte que revolucionaram a Europa do primeiro quartel do século XX. Mas se ele pode ser pensado como um último suspiro, pode também ser lido como o primeiro grito de uma nova estética que propunha uma reflexão sobre seus usos e desusos num mundo que rapidamente ganhava novos contornos. Andy Wahrol, o homem-manifesto da pop arte, nos legou uma espécie de didática desestetizante que colocava em xeque não apenas as possíveis funções sociais da arte, mas principalmente o chamado mercado de arte e sua delicada relação com o mundo do consumo. Não por outra razão escolheu para suas telas, retratos de ícones populares, como James Dean e Marilyn Monroe, mas também representantes das utopias políticas, como Che Guevara e Mão Tse-Tung. E ao lado destas figuras-chave da cultura reinante de então, colocou latas de sopa, biscoitos, farinhas. Bens de consumo imediato que, no imaginário que estava sendo conformado pela sociedade de massa, se igualavam, ou melhor, diziam a mesma coisa – sim caros cidadão, podemos e devemos comer arte.
Mas podemos mesmo comer arte? O que tenho verificado hoje em dia, é todo um movimento contrário, que vem a privilegiar a alta culinária. Basta pensarmos na grande cozinheiro do momento, o catalão Ferrán Adrà, e sua cozinha molecular e no seu brilhante discipulo Oriol Balaguer, autor do "melhor livro de receita de doce do mundo" e da "melhor sobremesa do mundo". Dono de uma sui generis butique de chocolates, localizada em Barcelona e em Tóquio, o próprio cozinheiro afirma:

- "A idéia era fazer uma butique que não lembrasse em nenhum momentop uma confeitaria ou uma loja de bombons. Consideramos que nosso produtos são jóias, e por isso decidimos dar esta estética de joalheria. Não existe nada na nossa butique que seja comum (...)"

Então eu me pergunto - será mesmo que um simples mortal pode provar estas pequenas jóias de chocolate? É isto o que a faz tão especial? Vendidos a preço de ouro, os bombons de Balaguer não dialogam com cidadãos mortais - são pensados e confeccionados para uma parcela ínfima da sociedade e contribuem, de fato, para um novo desenho institucional da gastronomia que, para além de elevá-la ao status de arte, a segrega, a sacraliza. Será mesmo que para sermos cozinheiros, precisamos fazer doutorado? Será que pelo simples fato de encararmos umas boas panelas podemos nos considerar os intelectuais do momento?

19 julho, 2006

Linha de montagem

Essas são as imagens da penúltima aula de culinária que tivemos. Rapidamente nossa cozinha ficou com cara de fábrica de massas. Fizemos uma receite do Jamie Olivier, publicada no seu livro O Retorno do Chef sem Mistérios, de Ravióli de ricota, limão, parmesão e manteiga de sálvia.

Para a massa:

250 gr de farinha de trigo
250 gr de farinha de semolina
3 ovos inteiros
8 gemas de ovos

Coloque as duas farinhas numa superfície limpa, faça uma concavidade no meio e acrescente os ovos. Vá misturando aos poucos até obter uma massa que possa ser trabalhada com as mãos. Embrulhe a massa em filme plástico e deixe descansar um poco na geladeira. Depois é só estica-la e moldar os raviolis.

Recheio:

400 gr de ricota amassada
raspa de 2 limões
pecorino ralado
parmesão ralado
sal e pimenta

Misture tudo e empregue.

Para o molho:

2 grandes pedaços de manteiga
folhas de sálvia
suco de 2 limões


Aqueça tudo numa panela e empregue.






E a sobremesa foi o clássico suflê de goiabada, da Carla Pernambuco.

Suflê de goiabada com calda de catupiry

Ingredientes:

Para a calda de catupiry
• 200 ml de leite
• 100 g de catupiry

Para o suflê
• 4 claras
• 1 pitada de sal
• 220 g de goiabada pastosa

Modo de preparar

Calda: misture o leite com o catupiry e leve ao fogo em banho-maria por cerca de 20 minutos. Bata bem com um batedor de arame para ficar uma calda lisa. Deixe esfriar.
Suflê: na batedeira ou com um batedor de arame, bata as claras. Quando começarem a ganhar volume, junte o sal e bata até formar picos duros. Aos poucos, adicione a goiabada e misture bem . Se quiser usar goiabada tipo cascão, derreta no fogo com um pouco de água até dar o ponto – deve ficar bem cremosa e firme. Divida a mistura em forminhas de louça próprias para suflê e leve ao forno preaquecido a 160ºC por aproximadamente 10 minutos ou até subir. Aumente a temperatura do forno no final da cocção para dourar o suflê. Retire o suflê do forno e sirva imediatamente com a calda fria.


Conchas para que te quero, por Lara Leal


O que será que estuda um malacologista? Dentro da vasta área da zoologia, um malacólogo é aquele que estuda animais de corpo mole, ou seja, caracóis, conchas e moluscos. As conchas, sabemos, inspiram verdadeiras paixões – além das formas perfeitas que atingem com o passar dos anos, das padronagens que as revestem, compartilhamos da áurea mágica de acreditar que de um grão de areia teremos uma irridescente pérola. No Brasil, poucos dedicam-se ao estudo das conchas, mas aqui presto um tributo ao cientista Maury Pinto de Oliveira, dono do maior acervo de conchas do Brasil – são 45 mil espécimes, todas devidamente catalogadas. Autor de inúmeros estudos sobre a malacologia, a ele devemos muito do conhecimento do universo dos moluscos, bem como a valiosa afirmação de que no Brasil temos 87 espécies de conchas comestíveis. É sobre isto que quero falar.
Realmente come-se muito pouca concha no Brasil. Salvo algumas vieiras, mexilhões e vôngoles e as famosas e afrodisíacas ostras, pouco uso fazemos delas na cozinha. Provavelmente são muito nutritivas. Lembram-se de um dos primeiros episódios de Lost, logo após a queda do avião, que o coreano tentou, sem muito sucesso, convencer os demais náufragos que se comessem os moluscos ficariam todos bem alimentados? Pois é, preciso verificar esta informação. De qualquer modo, é fato que devíamos nos dedicar mais ao estudos destes comestíveis, uma vez que eles estão ao alcance de nossas mãos. A editora do Senac, que vem desempenhando um importante papel no meio editorial no que diz respeito aos estudos da gastronomia brasileira lançou recentemente um livro sobre o assunto intitulado O Mundo das Conchas. Vou comprar para lê-lo...
Segundo informações soltas no ambiente da rede, nossos moluscos são ricos em vitaminas A e E, e são também considerados uma excelente fonte de ferro, potássio, zinco e magnésio. As únicas informações a mais que tenho sobre o assunto dizem respeito ao aspecto dos moluscos – devem estar sempre bem fechados, àqueles que não abrirem durante o cozimento devem ser descartados, e todos devem ser limpos com uma escovinha antes de serem postos para cozinhar. Um por um. Devo confessar que de minha vasta experiência na cozinha só me aventurei uma única vez a fazer vôngoles e rolou uma certa preguiça de lavar conchinha por conchinha. Mas os anos trazem algum tipo de ensinamento então, deverei me aventurar novamente e, sem preguiça, achar simplesmente um prêmio poder limpar conchinha por conchinha.
Vamos a receita:

SPAGHETTI AO VÔNGOLE




Ingredientes:

1 kg de vôngoles com casca
2 dentes de alho amassados
¼ de xícara de azeite
½ taça de vinho branco seco
1 colher de sopa de salsinha picada
500 gr de spaghetti Salsinha picada para salpicar
Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto


Modo de fazer:

Lave, um por um, os vôngoles. Numa panela, aqueça o azeite e junte o alho apenas para suar. Acrescente os vôngoles e o vinho branco. Feche a panela e deixe cozinhar por uns dois ou três minutos. Abra a panela e descarte os vôngoles que não abriram. Junte a salsinha picada e despeje sobre a massa já cozida.

E também vou postar uma receita do Olivier Anquier:


Mexilhão com manteiga e alho

Ingredientes:

500 g de mexilhão congelado

• 250 g de manteiga sem sal

• 3 dentes de alho

• 50 g de salsa

• 100 g de pão ralado, temperado com ervas finas

• 2 colheres (sopa) de conhaque

• Sal grosso a gosto

Prepare assim:

• Cozinhe os mexilhões congelados;• Pré-aqueça o forno a 200ºC;• Em uma tigela, coloque a manteiga, os dentes de alho e a salsa, ambos finamente picados;• Junte ao preparado o pão ralado temperado, o conhaque e uma pitada de sal;• Misture tudo com as mãos, até a manteiga amolecer e obter uma massa;• Encha o fundo de uma travessa que possa ir ao forno com sal grosso;• Recheie generosamente os mexilhões com o preparado e coloque-os no sal grosso;• Leve a travessa ao forno aquecido durante 5 ou 6 minutos ou até gratinar.

18 julho, 2006

Mais uma receita inspirada no mediterrâneo

Fusilli com tomates frescos e molho de azeitonas pretas

Ingredientes:

1/4 de xícara de azeite de oliva
1 x de azeitonas pretas, descaroçadas e picadas
1 cebola média, picada
6 dentes de alho picados1/2 colher de chá de pimenta calabresa seca
8 tomates italianos picados
2 colheres de sopa de extrato de tomate
2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco 1 pacote de fusilli (eu gusto das massas De Cecco) 1 ½ xícara de parmesão ralado
1 xícara de manjericão fresco

Modo de Preparo:

Aqueça o azeite numa panela larga. Acrescente as azeitonas, a cebola, o alho, a pimenta seca e refogue até as cebolas murcharem, o que vai demorar mais ou menos 4 minutos. Adicione os tomates e o extrato e cozinhe por mais dois minutos, ou até que a mistura fica bem homogênea. Junte o vinagre, mexa e então adicione a massa já cozida. Agregue o parmesão e o manjericão.
Depois é só saborear. Fica delicioso se acompanhado de uma boa taça de vinho, de preferência, da região do sul da França, como é o caso do Red Bicyclette.
Nunca tomei este vinho que estou lhes indicando, mas fiquei inteiramente encantada com seu site de divulgação. Além de parecer que ele foi feito na medida do post anterior... Esta receita foi retirada do site da revista Bon Appétit.

Pequenas anotações sobre a dieta mediterrânea a partir da Provença, por Lara Leal

“O mar Mediterrâneo sempre foi um meio de intercâmbio cultural, e suas glórias culinárias são um resultado disso. Numa longa história de ocupações e conquistas, as idéias sobre comida cruzaram fronteiras nacionais e, quando eram boas, se firmaram.”
Paula Wolfert


Uma culinária extremamente básica, que cultua o paladar primário dos alimentos – é assim a culinária provençal, um dos pilares da famosa dieta mediterrânea. Azeite de oliva, alho, tomate, manjericão, azeitona, tomilho, lavanda, verbena, mel, queijo de cabra, vinho, sol, mar, peixes e conchas, frutas, maças à la Cézanne, grelha, picnic...



São princípios desta região do sul da França, captados com maestria pelas pinceladas dos pintores impressionistas, que brincaram com as possibilidades cromáticas do sol da região. Não apenas Paul Cézanne, mas também Van Gogh encantou-se com sua luminosidade. Chegamos a sentir o cheiro da lavanda quando olhamos uma pintura do mestre holandês.




Alain Ducasse a descreveu assim: "Se tivesse que lhe dar uma cor, seria o azul do mar; se tivesse de resumi-la num gosto, seria sutil e perfumado como o óleo de oliva extra-virgem; se tivesse que descrevê-la em uma palavra, seria essencial".

É preciso lembrar que a região é apenas uma via de entrada da chamada dieta mediterrânea, que engloba também outras localidades, como Itália, Espanha e Portugal, Turquia, Grécia, Egito, Israel, enfim, culturas que têm em comum o mar mediterrâneo, o azeite e o alho.

O que vem sendo valorizado nos últimos anos é justamente a simplicidade desta cozinha, que valoriza o conhecimento da terra, que reconhece a sabedoria do camponês. São receitas extremamente simples, que se valem da frescura e da qualidade dos alimentos - pilares da alimentação orgânica.

Esta salada de pepino é um exemplo disto. Além de extremamente simples de ser feita, é muitíssimo saborosa e uma excelente opção para àquele tão sonhado picnic ao sol.

Salada de Pepino com queijo

1 pepino pequeno
sal
½ xícara de queijo cottage ou ricota
½ xícara de queijo feta esmigalhado
¼ de xícara de cebola ralada e escorrida
¼ de xícara de suco de limão
¼ de xícara de azeite de oliva
4 azeitonas pretas bem tenras
pimenta-do-reino moída na hora
hortelã fresca

Modo de Fazer:
Após descascar o pepino, corte-o no sentido do comprimento, arranhe-o com os dentes do garfo e salpique sal. Deixe descansar por 30 minutos. Junte os queijos com a cebola, as azeitonas picadas, o suco de limão e o azeite. Misture bem e tempere com a pimenta. E uma pitadinha de sal.
Escorra e lave o pepino e depois pique-o em cubos. Junte ao queijo. Enfeite com a hirtelã fresca e deixe descansar por 30 minutos antes de servir.
Fica maravilhoso se comido com uma boa fatia de pão italiano.

Para saber mais sobre a culinária mediterrânea indico dois livros, o clássico Book of Mediterranean Food, de Elizabeth David, e Cozinha Mediterrânea, de Paula Wolfert. Outra delícia de se ler, principalmente para quem tem crianças por perto, é o livrinho de Thomas Scotto, Cançonetas doces que nem o mel, editado pela Actes Sud Junior em parceria com a L’Occitane. São pequenas perolazinhas literárias, que ao mesmo tempo que resgatam o tom da lírica trovadoresca provençal, seduz o jovem leitor para os inúmeros benefícios do mel.
Aí vai uma pequena amostra:



Mel com Água

Vovó botou
Na água do banho
Um cozimento
De alecrim,
Fez boiar
Em auréolas
Colheradas
De girassol,
E sem dizer nada acrescentou
Um conchada
De castanheira
Depois me lavou
Dos pés à cabeça
Com um xarope suave de acácia.
Ela imagina que
Eu fico mais cremoso.
Mas não seria melhor
Utilizar o mel em pérolas?



Ilustração de Laura Bour

Ratatouille


Ontem fui ao cinema com as crianças e assisti o trailer de um dos próximos lançamentos da Pixar - Ratatouille. Já tinha ouvido falar nele, ou melhor, lido sobre ele, num blog que costumo frequentar, mixirica.com. Dois motivos para intitular esta minha mais nova aventura no mundo virtual de ratatouille. A primeira diz respeito ao filme, ou melhor, a fala inicial do ratinho - "o meu problema é que eu só gosto de comida boa". E a segunda é quase uma homenagem. Há 15 anos atrás, quando me casei, não sabia cozinhar nada, nem mesmo fritar um ovo. E o primeiro prato que aprendi, por incrível que pareça, foi o ratatouille. Dois bons motivos !!!

E para começar, vou postar uma receita de Ratatouille, um cozido de vegetais tipicamente provençal.

Ingredientes:


- ½ xícara de manjericão

- 1/3 de xícara de sal

- 5 colheres (sopa) de azeite

- 1 colher (chá) de orégano

- 1 colher (chá) de tomilho

-2 berinjelas grandes, em rodelas da largura de um dedo

- 5 tomates, também em rodelas

- 2 alhos espremidos

- 2 abobrinhas em rodelas

- 1 cebola grande em rodelas

- sal e pimenta-do-reino a gosto


Modo de fazer:

1. Polvilhe a berinjela com o sal e misture bem. Deixe descansar por 20 minutos sobre um escorredor. Lave em água corrente, escorra e reserve para retirar o excesso de sal. Escorra e reserve.


2. Corte a cebola em rodelas finas. Ponha-a numa frigideira com o alho e duas colheres (sopa) de azeite. Frite em fogo médio até ficar macio. Faça camadas com os legumes, intercalando os temperos e as ervas. Por último, deposite os tomates e tampe a panela. Deixe em fogo baixo. O líquido que o tamate soltar irá cozinhar os demais legumes.

3. Quando estiverem cozidos, destampe a panela, acrescente mais um fio de azeite e deposite algumas folhinhas de manjericão.