28 novembro, 2006

Supermercados





Sei que é um programa que quase ninguém gosta. Mas tenho que confessar que eu adoro ir ao Supermercado. Me divirto olhando as prateleiras e imaginando as delícias que posso fazer. Tanto é assim que quando viajo faço questão de ir ao Supermercado - acho que conhecemos muito da cultura local assim. Recentemente estive em Buenos Aires e um dos divertidos passeios foi justamente ir comprar temperos no mercado e me surpreendeu muito a maneira como os argentinos lidam com a comida. Lá o mercado vende comida pronta, todas expostas em grandes bancadas e a pessoa chega e escolhe - quero este bife à milanesa, esta salada de bata, este chouriço, e assim vai.
Corre também uma lenda de que quando eu era criança a minha primeira profissão desejada era ser caixa de supermercado, eu achava o máximo ver aquelas mulheres registrando os produtos no caixa e as achava muito sortudas por estarem sempre por dentro das novidades. É claro que ir às compras era maravilhoso, principalmente quando ia com a minha vó Iracema que tinha um gosto muitíssimo parecido com o meu. Comidas picantes e exóticas, queijos deliciosos, massas ...
Em homenagem a esta minha "paixão" não-secreta, vou postar uma imagens lindas que descolei navegando na rede.


http://www.flickr.com/people/jot_de/ j(an). d(augart)


http://www.flickr.com/photos/wowzzaa/297948119/ Paul Octavious



http://www.flickr.com/people/warriwul/ Nice Kitty

Lista de Natal


Desde que vi esta matéria sobre a Pop Art Toaster decidi incluí-la na minha lista de natal imaginária. É uma torradeira que imprime desenhos divertidos nos pães e ainda vem com cinco canetinhas coloridas para pintar as imagens. Tudo comestível! Não é o máximo?

Bolinhos de batata com cebolas carameladas

Ontem resolvi experimentar uma receita que vi há alguns dias numa revista da Martha Stewart. Bolinhos de batata com cebolas carameladas. Além de lindos, são deliciosos e fáceis de fazer. Pena que não tinha uma máquina para registrá-los.

A receita:

Peque uma forma própria para Muffin, com seis cavidades. Besunte cada uma delas generosamente com manteiga derretida. Façã uma mistura com 1 colher de sopa de açúcar mascavo, 1 colher de sopa de vinagre balsâmico e 1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto. Distribua igualmente entre as forminhas untadas. No fundo da forminha deposite um raminho de alecrim e uma rodela de cebola vermelha. Faça isso em todas. À parte rale 4 xícaras de batatas, pique um punhado de alecrim fresco, tempere com sal e pimenta e misture tudo muito bem. Acrescente duas gemas batidas. Preencha as forminhas com este recheio, amassando bem. Nivele-as. Leve ao forno até tostar. Desenforme e sirva!

21 novembro, 2006

Amanhã, numa boa


Acaba de sair uma resenha minha do livro Amanhã, numa boa na edição de novembro da Revista virtual Dobras de leitura. Quem quiser pode acessá-la por aqui.

Um novo significado para melancias, por Peter Fussy


Último filme do diretor taiwanês Tsai Ming-liang, "O sabor da melancia", incomoda tanto quanto a falta de água e deslumbra como um grande copo de suco em dia de verão seco



Assistir a O sabor da melancia é uma experiência interessante. Em alguns momentos o constrangimento faz você cogitar a idéia de deixar a sessão, em outros, os diálogos silenciosos e a eclosão surreal de performances musicais, no melhor estilo 'programa de auditório', fazem você soltar um leve sorriso, quem sabe até uma gargalhada, se a platéia acompanhar.
O enredo, não tão essencial, mostra a relação de dois personagens - um homem e uma mulher -, numa metrópole que enfrenta forte escassez de água e ao mesmo tempo uma infestação de formigas e de melancias, que se transformam em símbolo para revelar sentimentos ou são simplesmente utilizadas como acessórios sexuais. No filme, a falta de água pode ser contornada estocando garrafas com água roubada de latrinas ou com suco de melancia. O problema maior é a falta de habilidade nas relações pessoais.
Enquanto o máximo de conversa entre os protagonistas é um tímido "psiu", o romance é dolorosamente construído por meio de imagens metafóricas, sempre com a frieza do movimento de câmera quase nulo. A incomunicabilidade entre os seres humanos é um dos temas principais de Tsai Ming-liang, que aos 39 anos já recebeu um Urso de Prata no Festival de Berlim em 1996, pelo filme O rio, e um Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1994, por Vive L'amour. Lançado na Berlinale do ano passado, O sabor da melancia recebeu prêmio pela realização artística e provocou intenso debate com sua mistura de pornografia, solidão urbana e musical kitsch.
Se por um lado, o relacionamento não-verbal, entremeado com cenas pornôs e performances musicais que beiram o ridículo, incomoda tanto quanto a urgência de amor vivida pelos personagens; por outro lado, a fotografia meticulosamente calculada faz o espectador deleitar-se num mundo de possibilidades: bolas de sabão saem da torneira seca, melancias correm pelo rio, pessoas dormem em redes colocadas no vão livre das escadas de um prédio.
Uma interpretação romantizada, no seu sentido narrativo, seria insuficiente para dar idéia da provocação contida nas imagens, que vão brincando com as sensações, num efeito catártico, até um ousado clímax (literal) de agonia extrema.


O sabor da melancia
Título original: The Wayward Cloud / Tian bian yi duo yun
(2004, França / Taiwan, 112 min.).
Diretor: Tsai Ming-Ling

In Revista Cult (edição 108)

19 novembro, 2006

Rosés


Há alguns anos atrás fui a um restaurante francês aqui no Rio chamado Le Bleu Noir. Na verdade é uma creperia comandada por um casal de franceses que fazem questão de estar sempre presente. É um restaurante bastante apertadinho que fica sempre cheio, mas vale a pena apostar. Naquela ocasião pedi um delicioso crepe de trigo serraceno com queijo de cabra. Qual não foi minha surpresa quando os donos insistiram para que eu tomasse um vinho rosé. Achei super cafona, mas diante da insistência fui convencida. A bebida foi servida gelada e numa linda caneca de cerâmica. Adorei e, é claro, repeti a dose. É, parece que os Roses têm sido reabilitado. Aqui no Rio, alguns bufês já os colocaram no menu e nos supermercados já os encontramos. Pesquisando sobre o assunto, me deparei com uma linda garrafa de rose da vinícola Coppola, em homenagem a Sofia. Sou realmente fã de Sofia Coppola, adorei seus dois primeiros filmes – As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros (este eu amei!) e aguardo ansiosamente a chance de assistir seu último e polêmico filme sobre a vida de Maria Antonieta. E agora aguardo ansiosamente também a chance de experimentar este vinho. Saúde!!

Manias

Todo mundo tem uma mania - eu tenha várias. Mas talvez uma se sobressaia - imaginar menus. Adoro não apenas imaginá-los, mas lê-los, ouvir descrições de cardápios, falar sobre o assunto. Toda vez que tenho insônia, por exemplo, fico horas pensando em o que serviria se fosse oferecer um jantar, etc. Adoro quando leio no jornal ou em revistas as descrições dos novos pratos dos restaurantes x e y. É claro que sei que provavelmente não provarei nem a metade deles mas ... alguns estão ao meu alcance. É o caso no novo sushi negro, criado pela chef do Zuka. Veja se a descrição não é apetitosa?

"SUSHI NEGRO. Ludmila Soeiro, chef do Zuka, criou para o Sushi Leblon uma dupla de sushis de arroz negro com salmão, toque de gengibre marinado, cebolinhas e pimenta japonesa. Um deleite".

Como estava mesmo precisando de uma desculpa para voltar ao Sushi Leblon (que é realmente uma delícia), devo dar uma passadinha lá esta semana. Depois conto o que achei.

E por falar em sushi, acabo de ficar sabendo que um dos lançamentos de natal da editora Publifolha é um livro dedicado a essas delícias. Já está na minha lista de presentes.



Este livro relata a história do maior ícone gastronômico do Japão. Sushi: Sabor Milenar conta de maneira bem-humorada e apaixonada os tipos e variantes desta delícia gastronômica, a etiqueta peculiar do restaurante japonês, os nomes dos peixes e o rito da degustação. O autor, Sérgio Neville Holzmann, especialista no assunto, preparou um verdadeiro manual para os adoradores do sushi. O livro conta ainda com prefácio do renomado chef Alex Atala. O resultado é um completo guia para adoradores da iguaria, indicado tanto para "sushimaníacos" como para quem está se iniciando nas delícias deste universo. O leitor poderá provar do texto, saborear as fotos e saciar sua fome de informação. A refeição está servida!

Atum


Ontem foi uma daquelas manhãs típicas de sábado. Crianças agitadas, eu com pressa para ir ao meu encontro de Origami, do grupo Dobras, e o que fazer para o almoço? Foi então que me lembrei daquela receita de croquete de atum, da edição de junho da Revista portuguesa Cooking. Foi a salvação, pois sempre tenho em casa latas de atum em água, e latas de milho. Almoço resolvido da seguinte forma: Arroz, creme de milho e croquetes de atum.

Croquetes de atum

100 gr de pão esfarelado
1 ovo batido
pimenta
2 latas de atum
1 c c de manjericão
bacon fatiado
2 c s de molho de tomate

É só misturas tudo, menos o bacon, e modelar como croquete. Embrulhar cada croquete em uma tira de bacon e fritá-los numa frigideira antiaderente.


Esta receita faz parte de uma matéria intitulada 10 receitas rápidas com atum. Todas me pareceram ótimas:
-Croquetes de atum
-Tramezzini de atum com agriões
-Endívias recheadas de atum
- Tetrazzini de atum
-Bolinhos de atum e ervilhas
-Flan de atum e tomate
-Mousse de atum
-Pizza de ratatouille grelhada e atum
-Pêssegos recheados
- Salada tropical

O atum, como todos sabem, é um ótimo alimento. Rico em ômega 3, ele abaixa o nível de triglicérides e o colesterol total. Agora atenção: lembre-se de apenas comprar latas de atum com o selo Dolphin Safe, pois a pesca de atum envolve riscos aos golfinhos que costumam nadar junto dos cardumes do peixe. Essa captura acidental se deve às técnicas de pesca. A pesca com rede vitima os golfinhos porque os impede de subir à superfície de tempos em tempos para respirar. Eles morrem antes mesmo de ser liberados das redes. Se o atum fosse pescado com linha, anzol e isca viva, isso não aconteceria.
Por isso, em alguns países, só podem ser comercializados atuns que vêm em embalagens onde há um selo Dolphin Safe (golfinhos seguros). Isso quer dizer que esses fabricantes estão sob regulamentação e auditorias constantes para verificar se, durante a pesca, há morte ou ferimento de golfinhos.

Aula


Esta semana tivemos uma aula simples e corrida, mas o resultado surpreendeu. As receitas são da chef Carla Pernambuco, que eu particularmente, acho bastante interessante. Além de generosa nas explicações, ela mantém a essência de uma boa comida caseira feita em casa. Como ainda não tenho as fotos da aula, vou postar somente as receitas. E assim que as conseguir, posto novamente.

Menu

Tagliatta de filé com tomatinhos assados
Frigideira de cogumelos com requeijão

Para a Tagliatta

1 kg de filé mignon limpo
sal
pimenta-do-reino
azeite

Corte o filé ao meio, no sentido horizontal, formando duas tiras compridas. Tempere com sal, pimenta e azeite. Aqueça bem uma frigideira antiaderente e grelhe a carne até o ponto mal-passado. Reserve, coberto com papel alumínio. Quando for servir, fatie os pedaços de filé com 0,5 cm de espessura.

Para os tomatinhos

3 xícaras de tomatinhos cereja, cortados ao meio
azeite
2 c de sopa de açúcar
1 ½ c de chá de sal
1 c de sopa de tomilhos frescos
pimenta

Misture os tomatinhos com os temperos muito bem. Espalhe em uma assadeira e leve ao forno até que eles comecem a murchar.

Para a frigideira de cogumelos

1 bandeja de cogumelo shitake
1 bandeja de pleurotus ou shimeji
2 c s de manteiga
1 c de sopa de shouyo
1/3 de xícara de creme de leite fresco
1 copo de requeijão
2 c de sopa de parmesão ralado
sal
pimenta

Retire os talos do shitake e fatie finamente. Corte a base do shimeji e solte os cogumelos do talo. Aqueça metade da manteiga em uma frigideira, junte o shitake em fogo alto e grelhe até secar o líquido. Reserve a faça da mesma forma com o outro cogumelo. Junte ambos em uma panela, acrescente o creme, o shouyo e o requeijão, acerte o sal e a pimenta. Finaliza com o parmesão. Não deixe reduzir demais, deve ficar cremoso.

Este prato a Carla fez para ser servido como aperitivo, com pão sueco. Realmente ele é, apesar de saboroso, um pouco enjoativo. Só que a combinação dele com o tomatinho ficou ótima. Só não dá para exagerar.


Todas estas receitas eu tirei do último livro da Carla Pernambuco, o Balaio de Sabores, editado pela Editora Nacional.

12 novembro, 2006

Oriente



Desde que me entendo por gente tenho um certo fascínio pela cultura oriental - adoro suas estamparias, sua culinária, seus chás, seus costumes e, principalmente, amo fazer origami. Pratico esta arte milenar desde os meus seis anos de idade. É claro que em alguns períodos da minha vida mais e em alguns menos. O fato é que este ano tenho feito bastante - é uma forma de meditação para mim, que funciona mais ou menos como a prática da mandala, demandando concentração e paciência. Tenho pensado em criar um blog dedicado aos meus origamis, mas a falta da máquina digital neste caso é fatal.
Toda esta confissão está ligada ao filme que acabei de assistir - Castelo Animado. Um desenho animado lindíssimo. E aproveito também para postar a imagem e o link do passo-a-passo de um Tsuru (para aqueles que não sabem, o símbolo máximo do origami) de massinha frita. Ainda não me aventurei a fazê-lo, mas qualquer dia isto acontecerá.


Minha perdição


Definitivamente, a minha sobremesa preferida é o sorvete. E é claro que tenho minhas marcas e sabores preferidos. Em primeiro lugar está o sorvete de macadâmia da Haggen-Dazs.
Em segundo o de mel com canela da sorveteria Itália. E em terceiríssimo, o de chocolate branco com maracujá da Sorveteria Mil Frutas. Agora o que eu realmente agosto desta sorveteria é a pesquisa de sabores relacionadas aos vários períodos do ano e as várias estações.

No momento estão lançando alguns sabores bastante sugestivos:

Habaneiro – inspirado numa bebida típica de Cuba, este sabor mescla banana, grapefruit, abacaxi, manga e tamarindo.
Limão Siciliano com raspinhas de laranja
Nordestino – tapioca, canela e geléia de laranja (esta com certeza concorre a vaga de preferido)
Caju amigo com um toque de cachaça
Natalino – com frutas cristalizadas e brandy.

Não é o máximo?

Customização



Hoje já se pode customizar tudo --- até chocolate.`Essa é a proposta da M&M´S. É só dar uma passadinha no site http://www.mymms.com/gifts/index.asp e dar uma olhada na novidade.

Geralmente estes confeitos já causam um bom efeito visual - com mensagens devem ficar únicos!

11 novembro, 2006

Novas Profissões - Primeira Parte

Que o mundo da gastronomia cresce vertiginosamente todos sabemos ... é só darmos uma olhada nas estantes das livrarias, nas bancas de revistas, nas quantidades de programas de televisão, para constatarmos o óbvio - a gastronomia está na moda. E é justamente na esteira deste fenômeno que assistimos o surgimento de novas profissões associadas ao maravilhoso e inesgotável universo da alimentação. Essas são apenas algumas amostras.


Os designers de alimento.

Na Puc-Rio, por exemplo, existe uma disciplina oferecida pela Departamento de Artes, exatamente sobre o assunto: o curso de chama e é ministrado pelo grande conhecedor do assunto, o professor Enrique Rentería, tradutor do fundamental A Fisiologia do Gosto, de Brillat-Savarin e autor da tese de doutorado intitulada O sabor moderno: da Europa ao Rio de Janeiro na república Velha.

Na internet já podemos encontrar alguns profissionais a oferecer o serviço:
www.foodfashiondesigns.com/




As fotografias abundam, sejam aquelas que transformam o alimento em objeto de arte, como Ferrán Adrià,

ou as lindas fotografias de Estevam Romera do site Mixirica.

Ou ainda aquelas que ampliam o conceito de cozinha, buscando desvinculá-la do dia-a-dia doméstico. http://www.projecta.net/fashion3.htm












Feijoada Completa
Chico Buarque


Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão

Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão

Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão

Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão
Hoje foi um bom dia gastronômico. Almocei, lanchei e jantei em casa – coisa um pouco rara ultimamente. Então aproveitei e fiz o tal incrível bolo de laranja, que realmente ficou muito bom. E como hoje o dia estava bem fresquinho, preparei um suculento ministrone inventado na hora.

Ministrone de Tomate

















1 cebola pequena picada
azeite
1 caixinha de bacon picada
2 latas de tomates pelados
sal, pimenta e 1 pitada de açúcar
2 litros de caldo de carne
2 xícaras de estrelinhas

Refogue as cebolas e o bacon no azeite. Acrescente os tomates que foram batidos no liquidificador com sal, pimenta e 1 pitada de açúcar. Deixe pegar um gostinho antes de acrescentar o caldo de carne. Após uns 25 minutos de cozimento, acrescente as estrelinhas e deixe-as cozinhar conforme tempo estabelecido na embalagem (geralmente uns 4 minutos). Pronto, está pronto, é só regar com azeite e ralar um bom parmeggiano reggiano por cima. Se quiser, e eu quis, acrescente ao seu prato 1 colher de pesto de manjericão. Faz toda diferença do mundo.

Pesto rápido

Num pequeno pilão, soque dois dentes de alhos, umas 5 folhas de manjericão gigante, queijo ralado, castanha do caju e azeite.





















E para acompanhar uma boa taça de vinho com torradas de pão italiano.

05 novembro, 2006

Acho um pouco sem graça postar as receitas sem as imagens do resultado. Mas, acreditem... eu não tenho uma máquina digital. Por isso as únicas imagens que aparecem no blog são das aulas, pois minha aplicadíssima aluna faz isto por mim. Daí que sem as imagens acabo me perdendo um pouco na rede procurando algo que possa ilustrar o blog. Estou entrando novamente numa fase natureba – isto significa gastar muito tempo lendo e relendo meus livros de culinária vegetariana e, claro, os livros de Sônia Hirsch. Desta minha primeira incursão ao vegetarianismo, resultaram um Risoto primavera (ontem no jantar), uma receita do delicioso blog Fatfree Vegan de arroz com lentilhas e especiarias (que eu adaptei um pouquinho) e um simplérrimo gratinado de abóbora.
Vão as receitas e algumas imagens imaginárias.

Risoto Primavera

2 xícaras de arroz arbório
1 cebola picada
4 colheres de sopa de manteiga
1 cenoura enorme, pelada e em cubinhos
1 abobrinha enorme, em cubinhos
1 xícara de vinho branco seco
caldo de legumes o quanto baste
2 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
sal, pimenta e alecrim


Refogar a cebola em duas colheres de manteiga até que elas murchem. Acrescentar o arroz e envolvê-lo totalmente no preparado. Adicionar os cubos de legumes. Salgar e apimentar à gosto. Regar com o vinho branco e mexer até que ele evapore completamente. A partir deste passo, despeje o caldo de legumes aos poucos e, a medida que for secando, acrescentando mais caldo, até que p arroz fique ao dente. Neste momento, desligue o fogo e acrescente o restante da manteiga, o queijo e o alecrim. Após mexer bem, fechar a panela e deixar descansar por uns 4 minutinhos.



Se depender de mim, aqui em casa uso sempre os produtos De Cecco. Realmente acho que eles fazem a diferença.









Arroz com lentilhas e especiarias

1 ½ xícara de arroz integral cateto lavado e escorrido
¾ xícara de lentilhas
2 paus de canela partidos ao meio
6 cravos
pimenta do reino moída na hora
coentro em grãos moídos artesanalmente com sal
4 xícaras de água

Levar tudo ao fogo e deixar ferver em fogo alto. Quando ferver, abaixar o fogo, tampar a panela e esperar a água secar.
Para acompanhar o arroz, fiz uma cebolas agridoces assadas. Apenas misturei sementes de mostarda, mel, vinagre de vinho tinto e azeite. Com isto, reguei cebolas cortadas em pétalas e as levei para assar.


Uma homenagem às especiarias !!!!!!!!!!!!!!!!

Gratinado de abóbora


Ralar 400 gr de abóboras e misturá-las com 1 xícara de creme de leite. Depositar esta mistura numa travessa que vá ao forno e cobrir com uma mistura feita de pão amanhecido ralado, queijo ralado e noz-moscada moída na hora. Apenas isto.

04 novembro, 2006

Show !!!!!!!!!!!


Esta lindíssima foto eu copiei de um site bem interessante, recém-descoberto nas minhas buscas diárias, o Vegan Cupcake Blog.

Este vestido foi confeccionado com 478 cupcakes. Não parece delicioso?

Lancheira

Passo a maioria dos dias da semana na Universidade. E, por isso, acabo almoçando por lá mesmo. Temos um bom restaurante a disposição, mas como é praticamente o único, está sempre cheio. Além do que eu efetivamente não gosto de comida a quilo, acabamos por misturar alhos com bugalhos, por mais criteriosos que sejamos, é que às vezes a tentação não deixa escapatória. Por tudo isto, vivo pensando em levar minha comida de casa. Sei que não é algo simples, mas tenho estudado um pouco o assunto – são dicas de Fer, idéias do Vegan Lunch Box e também da revista portuguesa blue cooking, que tem uma coluna fixa chamada lancheira. É estudando que agente aprende. Por exemplo, nunca havia me passado pela cabeça que podia levar sopa para o trabalho, é só acomodá-la numa garrafinha térmica. Outra dificuldade que enfrentamos é a escolha do material (lancheira, garrafa, potinhos), pois aqui no Rio de Janeiro a escassez deste tipo de utensílios é enorme. O que tenho feito é ficar paquerando as várias opções disponíveis on line – até que tenha coragem de comprá-las.

As três receitas que postarei são da revista blue cooking:

Salada de Rúcula, maça crocante, queijo de cabra e nozes

Rúcula q.b.
20 g de nozes
20 g de queijo de cabra
1 maça pink lady
sumo de limão q.b (opcional)

Vinagrete

2 c. s. de azeite
1 c.s. vinagre balsâmico
pimenta q.b. / sal q.b

Num recipiente com duas divisões, coloque na maior a rúcula, com as nozes partidas, o queijo esfarelado e a maça cortada em fatias finas. Se desejar pode deitar umas gotas de limão de forma a que a maça não oxide.
À parte junte o vinagre balsâmico, tempere com sal e pimenta, mexa e só depois adicione o azeite. Deite esta mistura na menor divisão.
Para enriquecer seu almoço, pode levar grissinos ou torradas.

Sanduíche Italiano

1 pão de semente
1 mozzarela
1 fatia de presunto cru
2 colheres de pasta de azeitona preta
3 folhas de manjericão

Abra o pão, coloque a fatia de presunto, disponha por cima a mozzarela cortada em fatias e barre-as com a pasta de azeitonas. Por fim coloque as folhas de manjericão.
2. Embrulhe o sanduíche em papel vegetal e ate com cordel. Está pronto para levar.


Taboulé com queijo feta, bacon e coentros

1 copo de cuzcuz
100 g de bacon
50 g de cebola picada
50 g de queijo feta
Coentros q. b.
Azeite q.b / vinagre q.b / sal q.b / pimenta q. b.

Leve a ferver um copo de água com um fio de azeite. Enquanto a água ferve, ponha o cuscuz numa taça funda. Deite a água quente por cima e mexa com a ajuda de um garfo. Tape e deixe repousar durante cinco minutos. Por fim mexa novamente com o garfo e deixe arrefecer. Pode pôr no frigorífico para acelerar o processo.
Numa frigideira frite o bacon. Entretanto pique os coentros e parta o queijo feta aos cubos.
Retire o bacon e remova o excesso de gordura com a ajuda de papel absorvente.
Num recipiente misture todos os ingredientes, tempere a gosto com sal, pimenta, vinagre e azeite.
Esta salada pode ser feita de véspera facilitando ainda mais a sua vida.
E estes são alguns sonhos de consumo:

03 novembro, 2006

Justificativa

Sei que ando meio relapsa ultimamente. Não tenho conseguido postar nada ... e sei que deveria. É uma frustração visitar um blog e não ver nada de novo. Mas realmente tenho tido alguns problemas que me impedem de blogar. Por outro lado, não abandonei minha cozinha e tenho feito coisas gostosas – nada muito sofisticado nem muita novidade. Massas e mais massas, risotos, bolinhos e tortas. Andei também comprando livros novos – o primeiro do Jamie Oliver e o mais recente da Carla Pernambuco.
Só para não decepcionar, aí vai uma receitinha nova:

Bolinhos de maças com passas

1 xícara de farinha de trigo branca
2 ½ c c de fermento em pó
¼ cc canela em pó
1/8 de cravo em pó
½ xícara de açúcar branca
½ xícara de açúcar mascavo
1 xícara de maça picada com casca
½ xícara de passas

2 ovos
¼ de xícara de óleo
1 xícara de leite

1 ¼ xícara de farelo de trigo

Junte os ingredientes secos, exceto o farelo, a maça e as passas. Misture, à parte, os ingredientes líquidos. Junte à esta mistura o farelo. Junte as duas misturas e acrescente a maça e as passas. Coloque em forminhas untadas e polvilhadas com farinha de rosca. Asse por mais ou menos 20 minutos ou até o palito sair limpo.

Como toda receita do Celeiro, esta é ótima!

Como não tenho fotos para mostrar, ilustro esta receitas com lindas forminhas de muffin!


29 setembro, 2006

Convite

Confesso que fiquei bastante orgulhosa de ter sido convidada a responder esta “corrente”. Vamos lá, tentarei me descrever em seis tópicos:

- Amo culinária italiana e tenho bastante orgulho de ter sangue siciliano nas veias. Nada no mundo me apetece mais do que um prato de spaghetti al sugo – com uma ou mais fatias de pão italiano e lascas do verdadeiro parmeggiano reggiano.

- Como puderam perceber sou altamente gulosa – o que me leva evidentemente a ter problemas com a balança. Eternamente... Mas a boa notícia é que acabo de perder 21 kilos e estou me sentindo ótima.

- Amo fazer origami, ler e cozinhar. Na verdade, poderia passar a vida inteira a me dividir entre estas coisas.

- A coisa que mais gosto no mundo é ficar em casa com meus filhos e não troco nada no mundo por isso. Na verdade, sempre tive uma tendência a ser caseira. Com o nascimento das crianças isso intensificou-se e luto diariamente contra a vontade de ficar em casa com eles. Afinal de contas adoro também o meu trabalho.

- Tenho um “lado b” exacerbado – o que me faz adorar seriados americanos, romances policiais e, de vez em quando, comer fast food em frente a TV. Adoro pipoca e amo sorvete.

- Adoraria ser mais zen e um pouco menos exagerada ... mas não consigo.

Erros e acertos

A aula de ontem correu com erros e acertos, e principalmente com muitos aprendizados, que é assim que se aprende ... cozinhando e errando. Começamos com uma salada de beterrabas e rúcula do Jamie Olivier. Esta estava ótima. O prato principal foi uma receita do Claude Troisgois – Filete de cherne, banana caramelizada e manteiga noisette de corintos. Também estava ótimo, apesar da minha dificuldade em fazer pratos de peixe – sempre acho que o peixe deve ser temperado com um pouco de limão, apesar de saber que isto altera seu sabor. Mas ... prefiro assim. E, finalmente, a sobremesa que não deu certo – esta também do Jamie – espetinhos de morangos caramelados com creme de mascarpone. Como não deu certo o espetinho, fiz uma calda quente com os morangos, para acompanhar o creme. Já o creme, por sua vez, não ficou muito bom – acho que apenas uma questão de proporções, limoncello demais. O creme ficou tão forte que não dava para comer.

Salada de Rúcula com Beterrabas



Folhas de rúculas
Beterrabas em cubos grandes, cozidas na água e sal
Creme fresco
Vinagre de vinho tinto
Sal e pimenta
Bresaola
Lascas de parmeggiano reggiano
Azeite extra virgem

Após o cozimento das beterrabas, depositá-las num bowl e temperá-las ainda quente. Regue com o creme fresco, o vinagre e tempere com sal e pimenta. Esta mistura será colocada delicadamente sobre o leito de rúculas. Espalhe as fatias de bresaola sobre a salada, salpique com o parmesão e regue generosamente com o azeite. Delícia!

Filete de cherne, banana caramelizada e manteiga noisette de corintos



4 filés de cherne
sal e pimenta
4 bananas cortadas longitudinalmente
manteiga
azeite
Frite as banas delicadamente na manteiga. Reserve. Tempere o peixe com sal e pimenta e frite-o no azeite.

Molho

200 gr de manteiga
1 limão
1 c s de shoyu
120 gr de passas
½ cebola picadinha
1 alho picadinho
1 c de café de colorau
coentros
sal e pimenta.

Numa panela derreta a manteiga até esta ficar bem marrom. Junte as cebolas e o alho, deixe refogar por dois minutos. Adicione o limão, as passas, o shoyu, o colorau e a pimenta. Junte os coentros e desligue o fogo.

Sirva as bananas no meio do prato, regue com o molho de manteiga e disponha o cherne por cima.
Ficou muito bom e a manteiga ficaria perfeita com rosbife, por exemplo.

Creme de Mascarpone




Misture 1 pote de mascarpone (500 gr) com ½ xícara de açúcar e 1 taça de limoncello (eu poria apenas duas colheres de sopa). Misture tudo muito bem e acrescente raspas de limão e alecrim picadinho. Leve para gelar.
Faça a calda com os morangos fatiados, açúcar e uma pontinha de manteiga. Sirva quente sobre o creme gelado.

20 setembro, 2006

Receita nova

A aula de ontem foi ótima ! E isso porque tivemos uma agradável surpresa com uma receita nova – uma tarte tatin de tomate. Isso mesmo, uma receita que descobri por acaso numa simpática revista portuguesa chamada Blue Cooking. Para acompanhá-la uma deliciosa receita do Celeiro – Conchigliette ao pesto de rúcula. Jantar delicioso.

Conchigliette ao pesto de rúcula

Para o pesto

No liquidificador:

100g de rúcula
¼ x de água
1 c s de azeite
1 c s de vinagre de vinho tinto

Num bowl, misture este creme de rúcula com:

2 c s de queijo ralado
¼ de xícara de maionese
1 c c de sal

Para a salada:

250 g de conchigliette cozido e resfriado
150 g de tomates secos cortado em Juliana
1 caixa de muzzarela de búfala em cubinhos
o pesto
algumas folhas de rúcula inteiras
1 punhado de nozes pecan assadas e picadas grosseiramente


Tarte tatin de tomates



Numa frigideira que possa ir também ao forno, prepare um caramelo com 1 c s de manteiga e 2 c s de açúcar. Quando pronto, acrescente 1 cálice de vinagre balsâmico. Desligue o fogo. Sobre este preparado, deposite rodelas de tomates sem semente, formando uma espécie de leito, preenchendo toda a extensão da frigideira. Salpique sal, pimenta do reino e orégano o quanto baste. Cubra-os com massa folheada, fechando bem as laterais. Leve ao forno até assar. Desenforme e sirva.
Fica excelente com mostarda dijon.

18 setembro, 2006

Sonho de biblioteca ou biblioteca dos sonhos?


"Como suas irmãs de madeira e papel, nem todas as bibliotecas são feitas apenas de livros. (...) Pinóquio, no capítulo XIX do romance de Collodi, tenta imaginar o que faria se tivesse cem belas moedas e fosse um cavaleiro rico, e então deseja ter um palácio com uma biblioteca "repleta de confeitos, bolos, panetones, biscoitos de amêndoa e sonhos rechedaos de creme".

Alberto Manguel, A Biblioteca à noite, Cia das Letras, 2006.

12 setembro, 2006

Ilustrações

Todos sabem da minha paixão por livros infantis. Não apenas as histórias me comovem mas, sobretudo, as ilustrações. Quando são ilustrações de culinária ... Essas eu descolei numa pesquisa de sobre vintage cookbook.












Volta às aulas

Ontem retomamos nossas aulas de culinária. Foi ótimo. Escolhemos duas receitas do primeiro livro de receitas do Celeiro. A de Quiche, seguimos rigorosamente a receita e a da salada apenas substituímos as tâmaras secas da receita original, por uma mistura de damascos e passas. Para quem não conhece este livro, eu o considero um achado, um daqueles livros que definitivamente são feitos para ensinar a receita como ela realmente é. E nada mais gostoso do que fazer um prato que você sabe que vai dar certo e que o gosto é o mesmo de quando comemos do restaurante. Vale a pena o investimento. Como ainda estou em recuperação e fico rapidamente cansada, resolvemos não fazer a sobremesa. Mas... como já tinha feito um gostoso e rápido bolo de chocolate à tarde, vou postar a receita dele também.

Quiche de Queijo Minas

Massa

2 xícaras de farinha de trigo
150 gramas de manteiga gelada cortada em cubinhos
1 cc de sal
2 a 4 colheres de sopa de água gelada

Misture a farinha com o sal. Acrescente a manteiga em cubinhos e, com o auxílio de um garfo, a transforme numa farofa grossa. Junte aos poucos a água, apenas para dar liga a massa. Forme uma bola, embale em plástico e deixe descansar na geladeira por uma hora.

Recheio

40 gramas de queijo parmesão ralado + 1 ½ cc de páprica picante
1 ½ xícara de queijo minas meia cura ralado
3 ovos
¾ de xícara de creme de leite fresco
¾ de xícara de iogurte natural

Numa tigela misture muito bem os ovos inteiros, o creme e o iogurte. Acrescente o queijo ralado com a páprica.


Modo de fazer

Abra a massa diretamente na forma, faça furinhos em toda a sua extensão. Deposite o queijo minas ralado e despeje por cima a mistura de ovos com creme. Leve para assar por uns 40 minutos.



Salada de trigo com damasco

1 xícara de trigo para quibe
água fervente para hidratar

½ xícara de slasinha picada
½ xícara de coentro picado
½ xícara de cebolinha picada
1 xícara de queijo minas meia cura picado em cubinhos
1 xícara de damascos secos picados e escaldados
½ xícara de passas escuras escaldadas


Para o molho

3 colheres de sopa de iogurte natural
1 colher de sopa de mel
¾ de xícara de azeite
½ cc de sal
¼ de noz moscada ralada
Misture tudo muito bem e acrescente:

2 maças cortadas em cubinhos juntamente com meia xícara de suco de limão.

Junte tudo e sirva.
Fica simplesmente deliciosa.

Bolo de Chocolate de liquidificador

1 xícara de leite morno
3 ovos
4 colheres de sopa de margarina derretida
2 xícara de açúcar
1 xícara de chocolate em pó
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento em pó.

Liquidificador e forno.

Para a Calda:

1 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de maisena
3 colheres de sopa de chocolate em pó
1 xícara de água
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de margarina
1 colher de chá de essência de baunilha

Misture tudo numa panela e leve ao fogo mexendo sempre até engrossar. Espalhe sobre o bolo já assado.


Estou tentando, sem sucesso, postar as imagens da aula ... enquanto não consigo tentem imaginá-las.

Bom apetite.

Conselhos a um jovem Chef


Estou lendo um lindo livro do grande chef Daniel Boulud, intitulado Conselhos a um jovem Chef, editado pela Anhembi Morumbi Editora.
O livro, escrito em forma de cartas, procura dar conta da árdua e encantadora carreira de chef. Nos fala dos principais atributos da profissão, das dificuldades e das maravilhas desta arte culinária. Tudo de forma bastante simples e tocante. Entremeadas de, não diria receitas mas sim indícios de receitas, a leitura das cartas nos abre o apetite e nos convida a pensar naquilo que comemos. São 14 cartas que procuram dar conta deste amplo universo chamado gastronomia e que se dividem da seguinte forma, Os mestres, O seu sentido do paladar, Ingredientes, e por aí vai. Alguns de seus pensamentos são verdadeiras pérolas. São frases que nos fazem ficar pensando dias e dias na mágica da culinária. Aí vai uma delas:

“Quando se é chef, o desejo é honrar seu passado transformando-o em memórias gastronômicas que possam ser servidas num grande restaurante”.

03 setembro, 2006

Encontro com Flô


Acabei de ler um livro muitíssimo especial – Encontro com Flô. Antes de falar dele, quero contar um pouco do meu encontro com este livro – já que ele tem também uma história. Quinta-feira passada, numa espécie de ato heróico, levei meus filhotes ao salão do livro infanto-juvenil do MAM. Digo heróico porque quinta não era, nem de longe, um bom dia para isto, pois eles entram na escola às 13 horas e só consegui chegar ao MAM às 11h30min, toda carregada de mochilas e lancheiras. Acontece que aquele seria o únicoo dia viável de levá-los ao salão, pois logo depois seria submetida a uma cirurgia que me deixaria fora de combate por, no mínimo, duas semanas. E quem me conhece sabe da importância que tem na minha vida esta relação especial com os livros, e o quanto ela já faz parte também da vida de meus filhos. Lá fomos nós e, como imaginava, amamos nosso programa. Após percorrermos todo o salão e as crianças escolherem seus livros, foi a minha vez, e resolvi que gostaria de me presentear com algum livro de uma nova editora de livros infanto-juvenis que tem feito bastante minha cabeça ultimamente – a Barco a Vapor. Claro que estava certa de que lá encontraria alguns tesouros novos para minha biblioteca – só não sabia que encontraria o livro que seria de vital importância para a recuperação da minha cirurgia – e quem já passou por alguma sabe que esta recuperação é tanto física quanto emocional. Eis que entra a hora de falar do lindo livro da Argentina Laura Escudero. Um livro lindo que fala de amor, de família, da importância das memórias, passoais e lidas. É uma linda releitura dos romances epistolares tão em voga nos séculos passados, que davam conta de verdadeiras sagas familiares a partir de escritos íntimos. O encontro entre mulheres de uma mesma família e a descoberta de suas raízes – no caso, entre neta e avó. Não bastasse esta linda história costurando o enredo do livro, algumas passagens foram verdadeiras prêmios para mim, uma vez que reforçaram algumas das principais questões que venho trabalhando internamente e que dizem respeito a minha vida pessoal. Vou citar apenas duas delas – uma linda passagem aonde a avó recorda a importância de um determinado livro teve em sua vida de menina As Aventuras de Huckleberry Finn–e de como as histórias lidas confundem-se com a vida vivida.
“...(...) Como deve imaginar, desde esse dia, todas as tardes nos reunimos para ler. Shimu se entusiasmou muito com Huckleberry, mas não o suficiente para ler sozinho. Já vamos para o capítulo VII e estamos pensando em fazer uma jangada. Na próxima carta conto o que aconteceu.
Meus mais sinceros carinhos,
A senhorita Flô”

E na última carta do livro, quando a avó recorda de um ritual que viveu, envolvendo o preparo de comidas.

“...(...)Batizei estes dias como os “mais maravilhoso”. (...) A senhora Tompsi e vovó começaram a me contar que durante aquele dia praparariam doce para o ano todo, enquanto os homens fariam lingüiças para conservar em barris de gordura.
Claro que me convidaram para participar das tarefas. Vesti um avental e tomei os devidos cuidados para não me queimar. (...) Depois me juntei a Carmela, uma das filhas deles. Enquanto transportávamos cestas, ela me contou que no dia anterior tinha lavado os marmelos, tirado a penugem cuidadosamente e o cabo. Também tinha tirado as sementes, que foram guardadas, mas em recipientes separados. Então me mostrou estranhos anéis de barro feitos no chão. “É ali que iremos cozinhá-los”, disse. (...) Até aquele momento havíamos trabalhado incansavelmente e sem perceber. Só tínhamos parado para comer ou para receber algum mate, que circulava ininterruptamente de mão em mão (perdão, certamente esta não é uma infusão refinada). (...) Quando terminamos, colocamos a mesa para jantar naquele mesmo lugar a céu aberto. Comemos, conversamos e depois... dançamos!, com a música de uma vitrola, colocada no meio de uma varanda.
Todos dançaram: crianças, adultos e velhos. Uns com os outros, sem diferenças. E foi uma grande festa. A melhor que já vi. E ninguém se arrumou, nem se perfumou especialmente para isso. Foi, como me tinham dito, uma celebração do trabalho. Este, irmã, é o espírito do lugar. O que tanto mê fascina. (...)”

É isso, a vida é uma eterna celebração, não só do trabalho, mas do amor, da união que faz a força. Alimentar as pessoas é amor em estado bruto. E é isso que eu quero para a minha vida.

Obrigada, Laura!
Obrigada mãe, pai, irmãos, marido, filhos, amo vocês!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E quando eu ficar boa farei um banquete.
Para celebrar a vida!!!